ESTUPRADA POR 17 ANOS – Pai é preso em Anápolis suspeito de abusar da filha desde os 12 anos.
Investigação aponta que mulher era ameaçada e obrigada a permanecer com o pai; exames de DNA devem esclarecer a paternidade de quatro crianças.
Roberto Naborfazan
Um homem de 48 anos foi preso preventivamente em Anápolis, suspeito de estuprar a própria filha durante aproximadamente 17 anos. Segundo a Polícia Civil, a violência teria começado quando a vítima tinha 12 anos e continuado até recentemente. Hoje, ela está com 29 anos.
A investigação é conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Anápolis. De acordo com a delegada Aline Lopes, pelo menos uma criança nasceu em decorrência dos abusos relatados pela mulher. A Polícia Civil também investiga se o homem é pai biológico de outras crianças.
O mandado de prisão preventiva foi cumprido na manhã de sexta-feira (11). Após ser preso, o investigado negou as acusações, recusou-se a fornecer material biológico e não quis prestar declarações à Polícia Civil, informando que se manifestaria apenas perante a Justiça.
Abusos teriam começado quando vítima tinha 12 anos
A história começou a vir à tona depois que a Polícia Civil tomou conhecimento de que a mulher havia relatado a familiares que sofria abusos sexuais praticados pelo próprio pai desde os 12 anos.
Segundo a investigação, a revelação ocorreu durante um período em que o homem estava preso por outro crime.
Na ocasião, a mulher também contou aos familiares que uma criança havia nascido em decorrência da violência sexual.
Depois de deixar a prisão, conforme apurado pela Polícia Civil, o homem teria procurado a filha e passado a pressioná-la para que voltasse a viver com ele.
Segundo a corporação, ele ameaçava retirar dela a criança que teria sido gerada em decorrência dos abusos caso a mulher não retornasse à residência.
Diante das ameaças, ela teria voltado a morar com o pai.
Mulher relata ameaças e controle
A partir de então, segundo a investigação, o homem, a filha e quatro crianças passaram a viver na mesma residência. Atualmente, as crianças têm entre 1 e 11 anos.
A Polícia Civil afirma que o investigado mantinha forte controle sobre a mulher e é descrito por ela como violento, agressivo e controlador.
Além da violência sexual relatada, a vítima afirmou que sofria ameaças de morte.
Segundo seu depoimento, o pai dizia que, caso fosse preso, posteriormente deixaria a cadeia e a mataria.
Para os investigadores, o medo provocado por essas ameaças ajuda a explicar por que a mulher permaneceu em silêncio durante tantos anos.
Após a prisão do homem, ela confirmou aos policiais que os estupros teriam continuado até recentemente.

Polícia investiga paternidade de quatro crianças
Uma das principais frentes da investigação agora é esclarecer a paternidade das quatro crianças que viviam com a mulher e o investigado.
Segundo a delegada Aline Lopes, existem indícios de que o homem possa ser o pai biológico das crianças, mas essa informação ainda não foi confirmada.
“Há fundadas suspeitas disso, mas ainda não há confirmação”, afirmou a delegada.
Amostras de material biológico das crianças foram coletadas para a realização de exames de DNA.
O investigado, porém, recusou-se a fornecer espontaneamente uma amostra de seu material genético.
Diante da recusa, os policiais recolheram objetos pertencentes a ele e solicitaram à perícia a extração de material genético que possa ser utilizado na comparação.
O objetivo é confrontar o DNA obtido a partir dos objetos com as amostras das crianças e determinar se existe vínculo biológico.
“A gente vai fazer o confronto do material do investigado com o das crianças para determinar se todos são filhos dele ou não”, explicou Aline Lopes.
Prisão preventiva e acolhimento
Diante da gravidade das acusações, das ameaças relatadas pela vítima e dos elementos reunidos durante a investigação, a DPCA representou pela prisão preventiva do homem.
O pedido foi deferido pelo Juizado de Violência Doméstica e Familiar de Anápolis, e o mandado foi cumprido na sexta-feira (11).
Depois da prisão, a mulher e as quatro crianças foram retiradas da situação em que viviam e acolhidas.
O investigado foi encaminhado para uma unidade prisional, onde permanece à disposição do Poder Judiciário.
As investigações continuam, especialmente para esclarecer a paternidade das crianças e reunir os demais elementos relacionados aos abusos relatados pela vítima.


