A CAMINHO DA ESCOLA – Pai é preso em flagrante após filha de 13 anos registrar violência sexual.

Adolescente gravou o abuso, pediu que o homem parasse e relatou que ele teria oferecido R$ 200 para que ela permanecesse em silêncio.
Roberto Naborfazan
Um homem de 34 anos foi preso em flagrante na segunda-feira (14), em Corumbá de Goiás, suspeito de estuprar a própria filha, uma adolescente de 13 anos, dentro de um carro durante o trajeto até a escola.
A menina conseguiu registrar parte da violência com o celular sem que o pai percebesse. Segundo a Polícia Civil, o vídeo mostra o homem tocando o corpo da adolescente, inclusive suas partes íntimas, enquanto ela manifesta desconforto e pede que ele pare.
Mesmo diante da recusa da filha, o suspeito teria continuado os toques e usado a condição de pai para tentar justificar o comportamento. A gravação termina com ele orientando a menina a não contar o ocorrido à mãe.
Em depoimento, a adolescente relatou ainda que o pai teria oferecido R$ 200 para que ela permanecesse em silêncio.
Escola percebeu que adolescente estava abalada
Depois do episódio, o homem deixou a filha na escola. A adolescente chegou à unidade de ensino chorando e emocionalmente abalada.
Funcionários perceberam a situação e acionaram a mãe da estudante. A menina contou o que havia acontecido e foi acompanhada até a Delegacia de Polícia de Corumbá de Goiás, onde o caso foi denunciado.
A Polícia Civil realizou diligências e localizou o suspeito ainda na segunda-feira. Ele foi preso em flagrante e encaminhado a uma unidade prisional.
A gravação feita pela adolescente passou a integrar os elementos reunidos pela investigação.
Adolescente já havia relatado comportamento do pai
Segundo informações reveladas por uma fonte, a menina já havia contado à mãe, em outra ocasião, que se sentia desconfortável com toques do pai em suas pernas.
Embora o episódio anterior não apresentasse, naquele momento, elementos suficientes para caracterizar o abuso investigado agora, o relato acendeu um alerta na família. A mãe teria orientado a filha a gravar caso o comportamento se repetisse.
A recomendação permitiu que a adolescente registrasse a violência ocorrida dentro do veículo.
A Polícia Civil informou que, até o momento, não identificou indícios de outras vítimas.
Polícia apura possível planejamento
O comportamento do suspeito antes do crime também passou a ser analisado pelos investigadores. De acordo com a delegada responsável pelo caso, ele não tinha o hábito de levar a filha à escola, mas insistiu em fazer o trajeto naquele dia.
A circunstância levantou a suspeita de que o homem teria planejado uma oportunidade para permanecer sozinho com a adolescente. A possível premeditação ainda está sob investigação.
Os pais da menina são separados.

Suspeito negou abuso durante interrogatório
Ao ser interrogado, o homem negou ter tocado as partes íntimas da filha. Ele teria admitido apenas que passou as mãos nas pernas da adolescente.
Sobre os R$ 200, o suspeito declarou que pretendia dar o dinheiro à filha e que pediu que ela não contasse à mãe para evitar uma interpretação equivocada.
Segundo a delegada, a versão apresentada por ele entra em contradição com as imagens e com os demais elementos reunidos no auto de prisão em flagrante.
O homem passou por audiência de custódia na terça-feira (15). O resultado da audiência não havia sido divulgado nas fontes consultadas até a última atualização desta reportagem.
A identidade do investigado não foi revelada para preservar a adolescente. Por esse motivo, não foi possível localizar uma defesa independente. O espaço permanece aberto para manifestação.
Crime é considerado estupro de vulnerável
O suspeito foi autuado por estupro de vulnerável. O crime está previsto no artigo 217-A do Código Penal e ocorre quando alguém pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com pessoa menor de 14 anos.
A pena prevista é de oito a 15 anos de reclusão. Para a caracterização do crime, não é necessário que haja conjunção carnal. Qualquer ato libidinoso praticado contra uma pessoa menor de 14 anos pode configurar estupro de vulnerável.
O Superior Tribunal de Justiça também estabelece que eventual consentimento da vítima, experiência sexual anterior ou relacionamento com o agressor não afastam a configuração do crime.
Como denunciar
Suspeitas ou casos confirmados de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados ao Conselho Tutelar, à Polícia Civil ou pelo Disque 100. Em situações de emergência ou quando o crime estiver acontecendo, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
As denúncias também podem ser feitas por familiares, vizinhos, professores, profissionais de saúde ou qualquer pessoa que perceba sinais de violência. A identidade do denunciante pode ser preservada.

