SABERES DO CERRADO – Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado pode ganhar registro histórico no Brasil.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) abriu consulta pública para ouvir a sociedade sobre o possível registro do Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado como patrimônio cultural do Brasil. As manifestações podem ser enviadas até o dia 9 de junho de 2026.

Roberto Naborfazan*

Está aberta a consulta pública para que a sociedade possa se manifestar sobre a proposta de registro do Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado como patrimônio cultural do Brasil. Até o dia 9 de junho de 2026, qualquer pessoa pode enviar sua opinião, sugestões ou informações sobre o bem cultural que pode ser inscrito no Livro de Registro dos Saberes.

Confira na íntegra o parecer técnico do Iphan sobre o Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado

As manifestações podem ser enviadas por e-mail para [email protected], por correspondência para o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural no endereço SEPS 702/902, Centro Empresarial Brasília 50, Bloco B, Torre Iphan, 5º Andar, Brasília-DF, CEP 70390-135, ou através do Protocolo Digital do Iphan disponível no site oficial do Instituto. Após o encerramento do prazo, todas as contribuições recebidas serão analisadas pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão máximo de decisão do Iphan para o reconhecimento de bens culturais brasileiros.

A consulta pública representa uma oportunidade para que a população, especialmente quem vive, pratica ou conhece de perto essa tradição, possa contribuir com informações, relatos e opiniões sobre o bem cultural, garantindo que o processo de reconhecimento passe pelas mãos da comunidade detentora.

Quebradeiras de coco babaçu da região do Bico do Papagaio, em Tocantins. FOTO: Bruno Santiago/Acervo APA-TO

Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado

O pedido de registro foi feito em 2006 e é de autoria da Articulação Pacari (Rede de Plantas Medicinais do Cerrado). O ofício manifesta-se em vasta extensão do território nacional, abrangendo estados como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Tocantins, Bahia, Maranhão e Piauí além do Distrito Federal, definindo-se pela atuação de detentoras e detentores de saberes tradicionais que dominam o ciclo completo da cura, desde a identificação botânica até o preparo de remédios caseiros.

Essa prática demonstra profunda continuidade histórica, fundamentada na transmissão oral entre gerações de famílias camponesas, quilombolas, indígenas, periurbanas e urbanas evidenciando o dinamismo de um saber que se adapta às transformações do bioma. Além dos núcleos familiares tradicionais, o ofício integra agregados e comunidades que buscam no sistema tradicional de saúde respostas para necessidades físicas e espirituais. Assentando-se no tripé do manejo sustentável, da religiosidade popular e do conhecimento empírico sobre a biodiversidade, a atividade desempenha um papel fundamental no imaginário coletivo e na soberania medicinal das populações rurais.

Confira o dossiê de registro do Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado

Mais informações

Assessoria de Comunicação Iphan – [email protected]

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FOTO DE CAPA: Pacari.org.

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