MOBILIZAÇÃO NACIONAL – DNA de familiares pode ajudar a dar respostas sobre pessoas desaparecidas.
Mobilização nacional oferece coleta gratuita em 342 postos e incentiva parentes que ainda não forneceram material genético a participar.
Roberto Naborfazan
Uma amostra simples coletada com um cotonete na parte interna da boca pode ajudar a dar respostas a famílias que convivem com a incerteza sobre o paradeiro de uma pessoa desaparecida. Desde esta segunda-feira (24), 342 postos em todo o país participam da quarta Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas.
Coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em parceria com os institutos de perícia federal e estaduais, a campanha segue até sexta-feira (28) e busca incentivar familiares que ainda não forneceram material genético a participarem da iniciativa.
O DNA coletado pode ser comparado com perfis genéticos de pessoas encontradas vivas ou falecidas cuja identidade ainda seja desconhecida. O cruzamento das informações nos bancos de DNA estaduais e nacional amplia as possibilidades de identificação e pode ajudar a esclarecer casos de desaparecimento.
Quem já forneceu material genético anteriormente não precisa repetir o procedimento.
Coleta pode ser feita mesmo após a campanha
Embora a mobilização concentre os atendimentos entre os dias 24 e 28 de agosto, não há prazo limite para que familiares façam a coleta. O procedimento pode ser realizado posteriormente em laboratórios e institutos de perícia habilitados, independentemente de quanto tempo tenha passado desde o desaparecimento.
A coleta também pode ser feita em qualquer ponto oficial do país, mesmo que o desaparecimento tenha ocorrido em outro estado.
Para participar, o familiar deve apresentar um documento de identificação e informações referentes ao Boletim de Ocorrência do desaparecimento, como número do registro, delegacia responsável e estado onde o caso foi registrado.
Caso seja possível, o Ministério da Justiça recomenda também levar uma cópia do boletim, embora o documento físico não seja obrigatório. É necessário, entretanto, que o desaparecimento tenha sido oficialmente registrado.
Quem deve doar o DNA
A orientação é que a coleta seja realizada preferencialmente por parentes de primeiro grau da pessoa desaparecida.
A ordem indicada é:
– Pai ou mãe biológicos;
– Filhos biológicos e o outro genitor;
– Irmãos biológicos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe.
Quando não for possível obter material desses familiares, outros parentes também poderão ser considerados.
Crianças podem fornecer material genético, desde que estejam acompanhadas pelo responsável legal.

Procedimento é rápido e indolor
A coleta é gratuita e realizada por profissionais dos órgãos oficiais de perícia.
O procedimento é simples: um cotonete é passado na parte interna da bochecha para recolher células que permitem a obtenção do perfil genético. Não é necessário retirar sangue.
Após a análise, o perfil genético do familiar passa a ser utilizado para comparações com os bancos de DNA relacionados à busca e identificação de pessoas desaparecidas.
O material coletado para esse fim não pode ser utilizado para outras finalidades.
Como o DNA pode ajudar
Quando o perfil genético de uma pessoa sem identificação apresenta compatibilidade que indique possível parentesco com o DNA fornecido por uma família, os peritos realizam análises complementares para confirmar o vínculo.
Se a compatibilidade for confirmada, é elaborado um laudo oficial, que segue para a autoridade policial responsável pela investigação.
A partir daí, a família é procurada pela equipe responsável pelo caso para receber as informações e orientações necessárias.
A quarta Mobilização Nacional conta com 342 pontos de coleta distribuídos por todas as unidades da Federação. O próprio Palácio da Justiça, sede do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em Brasília, também funciona como um dos locais de atendimento durante a campanha.


