CÂNCER GINECOLÓGICO – Sinais no corpo podem ajudar a identificar a doença.

Sangramentos fora do período menstrual, alterações persistentes e dores sem causa definida estão entre manifestações que devem ser investigadas.
Maria Fernanda da Silva Santos*
Ao longo da vida, o corpo feminino passa por diferentes fases e mudanças. Algumas são naturais, mas outras podem indicar que algo precisa ser investigado.
Sangramentos fora do período menstrual, dores persistentes, alterações na região íntima e mudanças que não costumam fazer parte da rotina estão entre os sinais que não devem ser ignorados.
Nem sempre essas manifestações significam câncer, mas observar o próprio corpo e manter o acompanhamento ginecológico são atitudes importantes para identificar alterações e buscar um diagnóstico quando necessário.
No caso dos cânceres ginecológicos, a atenção ganha ainda mais importância porque alguns tumores podem não apresentar sintomas nas fases iniciais.
A doença reúne diferentes tipos de câncer que podem atingir o colo do útero, endométrio, ovários, vulva e vagina. Embora cada um tenha características e fatores de risco próprios, reconhecer possíveis sinais e manter os exames em dia pode contribuir para que alterações sejam investigadas mais cedo.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do colo do útero deve registrar cerca de 19,3 mil novos casos por ano no Brasil no triênio 2026–2028.
A doença permanece entre os tipos de câncer mais incidentes entre as mulheres brasileiras, considerando os tumores de pele não melanoma.
Sintomas podem variar
De acordo com o Dr. Eduardo Batista Cândido, presidente da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), os sinais dependem da região afetada e nem sempre aparecem logo no começo da doença.
“No câncer do colo do útero, por exemplo, o sangramento vaginal anormal, especialmente após as relações sexuais ou entre as menstruações, além de secreção vaginal atípica e dor pélvica persistente, são sinais de alerta. Já o câncer de endométrio costuma se manifestar precocemente por meio de sangramento vaginal após a menopausa. No câncer de ovário, é importante observar sintomas persistentes e inespecíficos, como aumento progressivo do volume abdominal, sensação de empachamento precoce, dor pélvica e alterações urinárias ou intestinais”. Aponta o Doutor Eduardo
Nos casos que atingem a vulva e a vagina, alterações que permanecem por muito tempo também precisam ser avaliadas. Coceira persistente, feridas, nódulos, úlceras, placas, dor na região ou sangramento sem uma causa aparente estão entre as manifestações que merecem atenção.
A presença de um desses sintomas, no entanto, não significa necessariamente que exista um tumor. Eles podem estar relacionados a diferentes condições de saúde.
A avaliação médica é importante justamente para identificar a origem do problema e definir se outros exames são necessários.
“O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura e pode permitir tratamentos menos invasivos e mais conservadores. Além disso, o acompanhamento possibilita identificar fatores de risco e estabelecer estratégias individualizadas de rastreamento e prevenção antes mesmo do surgimento de manifestações clínicas”, destaca Dr. Eduardo.

HPV tem relação com alguns tumores
Entre os fatores associados aos cânceres ginecológicos está a infecção persistente por tipos oncogênicos do papilomavírus humano, o HPV. O vírus tem papel importante no desenvolvimento do câncer do colo do útero e também está relacionado a parte dos tumores de vulva e vagina.
Outros tipos de câncer apresentam fatores de risco diferentes. No câncer de endométrio, por exemplo, obesidade, sedentarismo, síndrome dos ovários policísticos e algumas situações relacionadas à exposição hormonal podem aumentar as chances de desenvolvimento da doença.
A idade, o histórico reprodutivo e fatores hereditários também podem influenciar o risco. Algumas alterações genéticas merecem atenção, entre elas as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associadas a uma maior predisposição para câncer de mama e ovário.
A síndrome de Lynch, relacionada a alterações em genes responsáveis pelo reparo do DNA, também pode aumentar a possibilidade de determinados tumores ginecológicos. Tabagismo e imunossupressão são outros fatores que podem favorecer a persistência do HPV e a progressão de lesões.
Vacinação e acompanhamento ajudam na prevenção
No caso do câncer do colo do útero, a prevenção começa antes mesmo do surgimento de qualquer sintoma. A vacinação contra o HPV e o rastreamento são algumas das principais estratégias para reduzir a ocorrência da doença.
A vacinação contra o HPV é uma importante ferramenta de prevenção primária, enquanto o rastreamento, realizado de acordo com as recomendações vigentes, permite identificar infecções persistentes e lesões precursoras em fases assintomáticas. A combinação dessas estratégias é fundamental para reduzir a ocorrência e a mortalidade pelo câncer do colo do útero.
Além dos cuidados específicos, hábitos que fazem parte de uma rotina saudável também podem contribuir para a redução de determinados fatores de risco. Alimentação equilibrada, atividade física regular, manutenção de um peso adequado e não fumar estão entre as medidas recomendadas.
O uso de preservativos também ajuda a diminuir a transmissão do HPV e de outras infecções sexualmente transmissíveis, embora não elimine completamente a possibilidade de contato com o vírus.
Por isso, mudanças que fogem do padrão habitual do corpo feminino devem ser observadas. Sangramento vaginal inesperado, alterações persistentes na região íntima, dor pélvica sem explicação ou sintomas que não desaparecem são motivos para procurar avaliação profissional.
Mais do que esperar pelo aparecimento de sintomas, manter o acompanhamento ginecológico e seguir as orientações de vacinação e rastreamento são medidas que ajudam a cuidar da saúde e podem favorecer a identificação de alterações em fases mais iniciais.
FONTE: iG delas

