CASO DARK HORSE – STF investiga Flávio Bolsonaro por repasses ligados ao Banco Master.
Investigação autorizada por André Mendonça apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção em repasses ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Roberto Naborfazan
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura possíveis crimes relacionados ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator dos procedimentos relacionados ao Banco Master no Supremo, a partir de pedido da Polícia Federal (PF) e com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A existência do inquérito tornou-se pública com o levantamento parcial do sigilo de procedimentos ligados ao caso Master.
Segundo o pedido da PF, deverão ser apuradas possíveis práticas de “lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos” no contexto do financiamento de Dark Horse.
A apuração busca esclarecer a participação de Flávio nas tratativas envolvendo recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, para custear a produção cinematográfica.
Repasse de milhões entra no centro da investigação
O financiamento de Dark Horse ganhou repercussão em maio, quando o Intercept Brasil divulgou mensagens e áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
A reportagem do portal revelou negociações para que Vorcaro disponibilizasse US$ 24 milhões para a produção. Documentos analisados pelo veículo indicaram que pelo menos US$ 10,6 milhões — cerca de R$ 61 milhões pela cotação nos períodos das operações — haviam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025.
As informações passaram posteriormente a integrar as apurações conduzidas pela Polícia Federal.
De acordo com a investigação, Flávio teria atuado como interlocutor nas tratativas para conseguir recursos para a produção cinematográfica.
O senador reconheceu a autenticidade das mensagens divulgadas e afirma que sua participação se limitou à busca de investidores privados para o projeto. Ele nega irregularidades e sustenta que não ofereceu qualquer vantagem em troca do financiamento.
Eduardo Bolsonaro também aparece na apuração
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro também aparece entre os investigados no caso.
A Polícia Federal apura se parte dos recursos destinados ao projeto teria sido utilizada em benefício de Eduardo nos Estados Unidos. Ele nega ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro.
As investigações examinam ainda operações envolvendo o fundo Havengate, nos Estados Unidos, que recebeu recursos relacionados ao financiamento de Dark Horse.
Segundo as apurações, parte do dinheiro ligado ao projeto cinematográfico passou por estruturas financeiras no exterior, circunstância que está entre os pontos analisados pela PF para esclarecer a origem, o caminho e a destinação dos valores.
Sigilo retirado revelou investigação contra Flávio
A existência do inquérito específico contra Flávio Bolsonaro tornou-se pública depois que André Mendonça atendeu a uma solicitação do presidente do STF, Edson Fachin, e retirou o sigilo de 14 procedimentos, além do processo principal relacionado ao caso Banco Master.
Fachin havia solicitado publicidade aos procedimentos, ressalvando informações relacionadas a diligências cujo sigilo fosse necessário para não comprometer as investigações.
Apesar da divulgação de documentos relacionados ao caso Master, o conteúdo integral do inquérito envolvendo Dark Horse permanece sob sigilo.
Foi justamente a publicidade dada a parte dos procedimentos que permitiu confirmar que Flávio Bolsonaro vinha sendo investigado formalmente desde julho.

Delação amplia apuração sobre movimentação dos recursos
Outro elemento incorporado às investigações é a colaboração premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.
André Mendonça homologou o acordo na quarta-feira, 9 de setembro.
Freixo Júnior é apontado nas investigações como operador relacionado às movimentações de recursos para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, estrutura que aparece nas apurações sobre o financiamento de Dark Horse.
A colaboração poderá fornecer aos investigadores elementos para reconstruir o caminho do dinheiro, identificar participantes das operações e esclarecer a finalidade dos pagamentos analisados.
Flávio nega irregularidades
Desde que as conversas com Vorcaro foram reveladas, Flávio Bolsonaro não nega ter buscado investimentos para Dark Horse, mas contesta que tenha cometido qualquer irregularidade.
O senador afirma que os recursos negociados eram privados, destinados à produção cinematográfica e que não houve contrapartida ou vantagem oferecida ao ex-banqueiro em troca dos aportes.
A investigação agora deverá apurar se as operações financeiras envolvendo o filme ocorreram dentro da legalidade, qual foi o caminho percorrido pelos recursos e qual foi efetivamente a participação de cada pessoa mencionada no caso.
A abertura do inquérito representa o início ou aprofundamento da apuração formal sobre esses fatos e, por si só, não significa denúncia ou condenação dos investigados.


