QUESTIONADO POR LULA – Flávio defende PM acusado pela morte de Ana Clara e é contestado pela mãe da menina.
Questionado por Lula no debate da Globo, candidato do PL afirmou acreditar na inocência do policial; Cristiane Gomes da Silva rejeitou a versão de confronto e citou a perícia da Polícia Civil.
Roberto Naborfazan*
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) reafirmou, durante o debate da TV Globo na noite de sexta-feira (23), que acredita na inocência do policial militar acusado pelo Ministério Público de matar a menina Ana Clara, de 5 anos, em 2021. A declaração ocorreu após questionamento de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e foi contestada pela mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, que acompanhava o encontro na plateia.
Ao perguntar por que o adversário havia defendido o acusado, Lula levou o caso para o centro da discussão sobre segurança pública. Em resposta, Flávio questionou a autoria do disparo e argumentou que o cabo da Polícia Militar do Rio de Janeiro ainda não havia sido julgado.
“Eu quero saber quem foi o autor desse disparo, porque eu tenho a confiança que não foi esse policial. Ele sequer foi julgado ainda”, afirmou.
Na sequência, o candidato do PL dirigiu-se à mãe da menina, mas a chamou pelo nome da filha. Ao lamentar a morte da criança, apresentou uma versão segundo a qual havia um confronto no local.
“Era uma troca de tiros, uma comunidade deflagrada. A senhora sabe que tem o tráfico de drogas aí”, declarou.
Mãe contesta versão de troca de tiros
Cristiane protestou contra a resposta de Flávio e afirmou que a perícia da Polícia Civil no local atestou que não houve troca de tiros. A manifestação da mãe confrontou diretamente a explicação apresentada pelo candidato para as circunstâncias da morte.
“Ele não respondeu porque defendeu o assassino da minha filha. Ele inventou um confronto ali como o policial inventou no dia”, disse Cristiane.
O questionamento apresentado por Lula tratava dos motivos da defesa do policial. Na resposta, Flávio reiterou sua confiança na inocência do acusado e mencionou a ausência de julgamento. Cristiane, por sua vez, cobrou uma explicação sobre essa defesa e rejeitou a versão de confronto.
O policial é acusado pelo Ministério Público de matar a criança. A afirmação de que ele não teria efetuado o disparo foi apresentada por Flávio como sua convicção sobre o caso.
Maioridade penal e combate às organizações criminosas
Após a discussão sobre a morte de Ana Clara, os candidatos apresentaram propostas para a segurança pública. Flávio reafirmou que, se eleito, pretende classificar organizações criminosas como narcoterroristas.
O candidato também defendeu a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e propôs que, em casos de crimes hediondos, como estupro, a responsabilização penal ocorra a partir dos 14 anos. As declarações foram apresentadas como propostas de campanha.
Lula rebateu o adversário com referências a relações que atribuiu a Flávio com milicianos do Rio de Janeiro. Em seguida, reiterou a proposta de criar um Ministério da Segurança Pública e fortalecer a atuação das forças policiais federais no enfrentamento ao crime organizado.
“Vou criar o ministério, fortalecer a Polícia Federal, fortalecer a Polícia Rodoviária Federal e acabar com essa bandidagem de miliciano e narcotráfico aqui no Rio de Janeiro e no Brasil inteiro”, afirmou.
Enquanto Flávio destacou mudanças na classificação das organizações criminosas e na idade de responsabilização penal, Lula concentrou sua resposta na estrutura do governo federal e no fortalecimento das instituições policiais.

Morte de Ana Clara
O caso Ana Clara envolve a morte da menina Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, baleada com um tiro de fuzil em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói (RJ), enquanto brincava na porta de casa.
– O crime: A denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro aponta que o cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli efetuou disparos de fuzil (calibre 7,62 mm) em direção a uma área residencial. Moradores gritaram que havia crianças e moradores no local, mas os tiros continuaram. Laudos indicam que os estojos encontrados na cena partiram da arma do PM. A defesa do policial alega que houve revide a uma injusta agressão de criminosos, versão contestada por perícias e relatos de moradores.
– Atuação de Flávio Bolsonaro: O senador Flávio Bolsonaro (PL) atuou como advogado de defesa do policial militar de forma pro bono (sem cobrança de honorários), por meio de convite do Instituto Família Policial. A defesa tentou recursos — incluindo tentativas no Superior Tribunal de Justiça (STJ) — para reverter a decisão que determinou que o réu fosse levado a júri popular, o que gerou forte repercussão política.
– Julgamento: O julgamento do PM, que havia sido adiado para outubro de 2026, foi reagendado para 5 de maio de 2027. O policial não foi julgado até o momento.
– Repercussão eleitoral (2026): O caso tornou-se um dos principais temas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), sendo citado em debates televisivos (Band e TV Globo) com a presença da mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, na plateia.
Educação integral e formação profissional
A educação também foi abordada no debate. Flávio defendeu investimentos no ensino integral e associou a permanência dos estudantes na escola à prevenção do envolvimento com a criminalidade.
“Eu vou investir muito no ensino integral. Porque criança mais perto da escola é criança mais longe do crime”, afirmou.
Ao explicar a proposta, o candidato mencionou a oferta de ensino técnico no contraturno, relacionando a ampliação da jornada escolar à formação profissional e ao estímulo à frequência às aulas.
“Eu vou investir no ensino técnico no contraturno, por exemplo, para que as crianças possam aprender as profissões do futuro, elas possam se sentir estimuladas a irem para a sala de aula”, declarou.
A proposta apresentada reuniu, assim, a ampliação do tempo de permanência na escola e a oferta de atividades voltadas à preparação para o trabalho.
Lula propõe versão universitária do Pé-de-Meia
Lula destacou a criação do Pé-de-Meia, programa de incentivo financeiro, na modalidade poupança, destinado a estudantes do ensino médio público. O candidato afirmou que pretende criar uma versão universitária da iniciativa.
Ao defender sua atuação na área, citou a expansão das universidades, dos institutos federais e das escolas de tempo integral.
“Eu tenho muito orgulho de participar do momento histórico desse país, em que a gente fez mais universidade, a gente fez mais instituto federal, a gente fez mais escola de tempo integral, a gente cuidou da educação como jamais tinha sido cuidado”, afirmou.
As manifestações sobre educação abordaram tanto a ampliação da jornada e a formação técnica quanto o apoio financeiro aos estudantes e a expansão da rede pública de ensino.
**Com informações da Agência Brasil.


