TROCA COM BÔNUS – Campanha da Equatorial com a Novo Mundo gera queixas sobre preços e entregas.
Clientes da campanha da Equatorial Goiás com a Novo Mundo relatam cobrança sem explicação, dúvidas sobre descontos e falta de informação após a compra; Participantes pedem histórico de preços e informações sobre entregas; resposta da Equatorial deixa questões sem esclarecimento.
Roberto Naborfazan
Consumidores que participaram da campanha Troca com Bônus, promovida pela Equatorial Goiás em parceria com as Lojas Novo Mundo, relatam problemas que vão da falta de produtos e de esclarecimentos sobre preços à espera por entregas sem informações precisas.
Anunciada com desconto de 50% na compra de geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, a iniciativa é alvo de reclamações sobre cobrança adicional, atendimento e transferência de responsabilidades entre as empresas.
A campanha ocorreu entre 19 de agosto e 11 de setembro de 2026, com cadastramento prévio entre 10 e 18 de agosto. Para os consumidores ouvidos pelo Jornal O VETOR, a expectativa de economia deu lugar a dificuldades para comprar os equipamentos e, posteriormente, obter respostas sobre a entrega.
Os relatos apontam falhas de informação em diferentes etapas: disponibilidade de estoque, composição dos preços, esclarecimento de cobranças e comunicação sobre os critérios que determinam o prazo de recebimento dos produtos.
Filas, falta de produtos e opções limitadas
As reclamações começaram ainda durante as vendas. Consumidores afirmam que, mesmo após receberem a confirmação de aprovação do cadastro, passaram horas em filas no segundo dia da campanha. Somente quando conseguiram atendimento foram informados de que os estoques haviam se esgotado, sem lista de espera ou previsão de novas unidades.
A divulgação pública da campanha informava que as compras estavam sujeitas à disponibilidade de estoque. A reclamação dos consumidores, porém, envolve também a falta de orientação durante a espera: segundo os relatos, a indisponibilidade dos produtos só foi comunicada no momento do atendimento.
Também houve críticas à quantidade de geladeiras com acabamento inox. Clientes relatam que encontraram poucas unidades dessa versão e que, diante da falta do modelo desejado, tiveram de optar por equipamentos brancos.

Consumidora relata cobrança de R$ 70 sem explicação
Uma consumidora contou à reportagem que ela e a irmã fizeram compras em uma unidade da Novo Mundo no Setor Cidade Jardim, em Goiânia, e foram surpreendidas por uma cobrança adicional.
“Minha irmã e eu fomos a uma loja Novo Mundo no Setor Cidade Jardim, em Goiânia. Comprei uma geladeira e minha irmã comprou um ar-condicionado. O vendedor nos cobrou uma taxa de setenta reais, sem nos informar o porquê dessa taxa, que não está no regulamento anunciado”, afirmou.
O relato exige esclarecimento sobre a natureza da cobrança, sua previsão nas condições da campanha e a forma como foi apresentada às compradoras. Sem essas informações, as consumidoras ficam sem condições de compreender pelo que estão pagando e de conferir se o valor corresponde ao que foi anunciado.
Preços de referência colocam o desconto em dúvida
Outro ponto questionado pelos participantes é o preço utilizado para calcular o benefício de 50%. Consumidores afirmam ter encontrado, durante a campanha, valores superiores aos que haviam observado anteriormente.
Entre os exemplos apresentados à reportagem, estão geladeiras que, segundo os relatos, eram vendidas por aproximadamente R$ 3.400 e passaram a ser oferecidas por R$ 4.400. A diferença é de cerca de 29,4%. Há também alegações de aumentos de até 35%, que precisam ser confrontadas com registros de preços dos mesmos modelos e das mesmas condições de venda.
A questão central é saber sobre qual valor o desconto foi aplicado e se o preço de referência correspondia ao efetivamente praticado antes da campanha.
No site Reclame Aqui, o consumidor Leonardo Marques Pereira registrou uma reclamação em que solicita esclarecimentos à Equatorial Goiás e à Novo Mundo. Ele afirma ter acompanhado preços de aparelhos de ar-condicionado antes da abertura das vendas e ter encontrado uma diferença expressiva ao procurar a loja.
“Meu nome é Leonardo Marques Pereira e venho registrar formalmente minha indignação e solicitar apuração sobre o que ocorreu comigo na campanha Troca com Bônus 2026, promovida pela Equatorial Goiás em parceria com a rede Novo Mundo. Realizei previamente o cadastro exigido pela campanha, tive meu cadastro aprovado e, confiando na divulgação de que os consumidores habilitados teriam 50% de desconto na aquisição de aparelhos de ar-condicionado e geladeiras, compareci a uma loja da Novo Mundo no dia 19 de agosto de 2026, data de início das vendas da campanha. Ocorre que me deparei com uma situação extremamente preocupante. Antes do início da campanha, eu havia acompanhado preços de aparelhos de ar-condicionado, inclusive do Midea de 9.000 BTUs, encontrando valores próximos de R$ 1.800,00. Entretanto, ao comparecer à loja para utilizar o benefício divulgado pela Equatorial, fui surpreendido com um valor de referência de aproximadamente R$ 3.200,00 para o aparelho. Além disso, justamente nesse período, ao tentar consultar os aparelhos de ar-condicionado no site da Novo Mundo para comparar os preços praticados normalmente pela empresa, não consegui acessar adequadamente essa categoria/página. Esses fatos me causaram enorme preocupação porque uma campanha divulgada como benefício de 50% de desconto somente representa vantagem real ao consumidor se o desconto for calculado sobre um preço legítimo e normalmente praticado, e não sobre um preço eventualmente aumentado para possibilitar a apresentação de um desconto aparentemente maior. Não estou afirmando, sem a devida investigação, que tenha existido [Editado pelo Reclame Aqui] ou combinação entre as empresas. Entretanto, considerando que a Equatorial Goiás é responsável pela campanha e a Novo Mundo é a rede varejista oficialmente parceira, considero indispensável que ambas esclareçam publicamente como foram formados os preços utilizados como referência.”
Na reclamação, Leonardo apresenta os seguintes pedidos:
– Que a Novo Mundo apresente o histórico do preço praticado para o mesmo modelo de ar-condicionado Midea de 9.000 BTUs nos 30, 60 e 90 dias anteriores ao início da campanha.
– Que seja informado qual era o preço à vista do mesmo produto imediatamente antes do início da campanha.
– Que seja esclarecido por que encontrou valor próximo de R$ 3.200 durante a campanha, quando anteriormente o produto era encontrado por aproximadamente R$ 1.800.
– Que a Equatorial Goiás esclareça quais mecanismos de controle e fiscalização foram utilizados para impedir a elevação dos preços antes da aplicação do benefício de 50%.
– Que seja informado se os preços de referência foram previamente definidos, auditados ou aprovados pela Equatorial.
– Que sejam preservados e apresentados, caso requisitados pelos órgãos de defesa do consumidor, os registros e históricos de preços do produto no site e nas lojas físicas.
O consumidor também pede a atuação dos órgãos competentes:
“Solicito ainda que PROCON e demais órgãos competentes apurem se ocorreu eventual aumento injustificado de preços, publicidade enganosa ou qualquer mecanismo capaz de transformar um suposto desconto de 50% em uma vantagem apenas aparente ao consumidor. Uma campanha vinculada a um programa de eficiência energética e divulgada como forma de facilitar o acesso da população a equipamentos mais eficientes precisa ter absoluta transparência, principalmente porque atrai consumidores justamente pela promessa de economia. Fiz meu cadastro, fui aprovado, criei a expectativa legítima de receber um benefício e me desloquei até a loja confiando na campanha. O que encontrei me fez sentir [Editado pelo Reclame Aqui], desrespeitado e potencialmente [Editado pelo Reclame Aqui] como consumidor. Não quero uma resposta genérica ou automática. Quero que Equatorial Goiás e Novo Mundo apresentem os preços anteriores do produto, expliquem a formação do preço utilizado na campanha e demonstrem documentalmente que o desconto anunciado é efetivamente um desconto real. Caso seja constatada qualquer irregularidade, solicito a aplicação das medidas cabíveis pelos órgãos de defesa do consumidor e a garantia aos consumidores do benefício efetivamente divulgado.”
Leia a reclamação na íntegra no Reclame Aqui.
Prazo de entrega e “medição” sem esclarecimentos
Para quem conseguiu comprar, outra fonte de insatisfação é a falta de orientação sobre o prazo de entrega. Consumidores afirmam que não receberam explicações claras dos vendedores antes do pagamento e só depois perceberam que o recebimento poderia ocorrer em até 60 dias.
O trecho do Termo de Adesão ao Projeto reproduzido no material encaminhado à reportagem estabelece:
“Estou ciente ainda que a data para recebimento dos produtos é de até 30 (trinta) dias, a contar do dia da compra, caso eu seja dispensado da medição, e até 60 (sessenta) dias caso seja selecionado para medição.”
A distinção entre os dois prazos torna necessária uma informação objetiva ao comprador: ele foi ou não selecionado para a medição? Nos relatos apresentados ao Jornal O VETOR, essa resposta não foi fornecida, deixando clientes sem saber qual prazo se aplica à sua compra.
Um consumidor de 66 anos descreveu as dificuldades enfrentadas depois de adquirir uma geladeira na unidade da Novo Mundo da Avenida Igualdade, no Setor Garavelo, em Aparecida de Goiânia.
“Acontece que já se passaram mais de 30 dias que fiz a compra. Não recebi nenhum comunicado da Equatorial Goiás ou das Lojas Novo Mundo se fui ou não selecionado para essa medição, e não há um canal para informações em nenhuma das duas empresas. Fiz contato pelo 0800 da Equatorial. Disseram que a responsabilidade pela logística de entregas é das Lojas Novo Mundo e que não havia como me informarem se eu havia sido escolhido para a tal medição ou não. Fui até a loja na Avenida Igualdade, no Setor Garavelo, em Aparecida de Goiânia, onde comprei a geladeira Midea de 491 litros. Tive de comprar a branca porque, segundo o vendedor, o modelo inox que eu queria já havia se esgotado em todas as lojas. Procurei a gerente, que, com pouca paciência, me disse que, se meu produto não chegou no prazo de trinta dias, foi porque eu teria sido selecionado para a medição. Questionei onde eu poderia verificar essa informação, pois não fui comunicado. Ela não soube dizer. Perguntei sobre quando receberia meu produto. Ela não soube dizer. Perguntei se poderiam me fornecer uma cópia da nota fiscal. Tanto ela quanto um jovem vendedor que se aproximou, de modo ríspido, me disseram que a nota fiscal só seria emitida no momento em que o produto estivesse saindo do Centro de Distribuição. Depois de muita insistência de minha parte, a gerente me encaminhou para uma subordinada, que, de forma aleatória, me disse que as entregas estavam sendo feitas por ordem de marcas e que as geladeiras da marca Midea só começariam a ser entregues no dia 10 de outubro.”
O mesmo consumidor também questionou os preços:
“Parcelei a geladeira em 10 vezes de R$ 199,00, total de R$ 1.990,00, no cartão, com o desconto de 50%, preço original de R$ 3.980,00. Recentemente, na mesma rede de Lojas Novo Mundo, vi geladeiras Electrolux, com tamanho similar à que comprei, por R$ 3.399,00, ou seja, houve um acréscimo de R$ 581,00 para a campanha. A gente acredita em uma campanha que leva o nome de duas grandes empresas e jamais vai imaginar que passaria por situações como essas.”
Nesse último caso, a comparação mencionada envolve marcas diferentes e não permite, isoladamente, comprovar aumento no preço do produto adquirido. O questionamento reforça, contudo, a necessidade de as empresas apresentarem os valores e critérios utilizados na campanha.

Equatorial atribui entregas à Novo Mundo
O Jornal O VETOR encaminhou à assessoria de comunicação da Equatorial Goiás questionamentos sobre a falta de acompanhamento após as vendas, as dificuldades para obter informações e os relatos de transferência de responsabilidade entre as empresas.
A reportagem também perguntou como os consumidores poderiam verificar se foram selecionados para medição, quais canais deveriam procurar e qual o posicionamento da concessionária sobre as alegações de elevação dos preços utilizados como referência para o desconto.
Em resposta, a Equatorial Goiás enviou a seguinte nota:
NOTA À IMPRENSA
“A Equatorial Goiás informa que está em contato com as Lojas Novo Mundo para acompanhar as demandas relacionadas às entregas dos equipamentos adquiridos durante a campanha Troca com Bônus. Conforme previsto em contrato, a logística e a entrega dos produtos são de responsabilidade da loja parceira. A concessionária orienta os clientes a procurarem diretamente a varejista, responsável pelo processo, para que as demandas sejam solucionadas com a maior brevidade possível.”
Assessoria de Imprensa da Equatorial Goiás
A manifestação informa quem responde pela logística, mas não esclarece como o comprador pode consultar sua seleção para medição, qual prazo se aplica a cada pedido ou quais mecanismos foram adotados para verificar os preços de referência. Também não apresenta um canal específico para acompanhar os problemas relatados.
Lojas Novo mundo
Nos canais eletrônicos consultados pela reportagem, não foi localizado um contato específico da assessoria de imprensa da Novo Mundo. Nas lojas físicas, nenhum funcionário se mostrou habilitado para se posicionar sobre os questionamentos.
Reclamações exigem apuração do Procon e da Delegacia do Consumidor
Diante dos relatos, é necessária a atuação do Procon Goiás para verificar as condições da campanha, solicitar esclarecimentos às empresas e examinar documentos sobre preços, cobranças adicionais, estoques, prazos e informações prestadas aos compradores.
Receber e verificar reclamações e denúncias, além de adotar os encaminhamentos administrativos pertinentes, integra as competências do órgão estadual.

A apuração deve esclarecer se os descontos foram calculados sobre preços efetivamente praticados, se a cobrança adicional relatada tinha fundamento e informação prévia e se os consumidores receberam orientação suficiente sobre a medição e seus efeitos no prazo de entrega.
Também cabe cobrar da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon) a avaliação dos relatos e dos documentos, para verificar se há elementos que justifiquem investigação criminal. A cobrança é por apuração: as reclamações, por si só, não constituem conclusão sobre a ocorrência de crime.
Equatorial Goiás e Novo Mundo precisam apresentar respostas verificáveis aos participantes: histórico dos preços dos produtos questionados, explicação das cobranças, confirmação sobre a seleção para medição e previsão de entrega de cada pedido. A divisão de tarefas entre as empresas não responde às dúvidas de quem já pagou e continua sem saber quando receberá o equipamento.
Uma campanha anunciada como oportunidade de economia precisa oferecer transparência também depois da venda. Os consumidores não podem ficar circulando entre canais e lojas sem uma resposta concreta sobre a compra realizada.


