HEMORRAGIA E MARCAS DE AGRESSÃO – Pai é investigado após morte de menino de 3 anos; defesa relata incidente em piscina.

Exame inicial identificou laceração intestinal, hemorragia e marcas de agressão; Diretor do IML afirmou que não foram encontrados indícios de afogamento.

Roberto Naborfazan*

O menino Gustavo Veloso Feitosa, de três anos, morreu após sofrer uma laceração intestinal e uma hemorragia interna. A informação consta na análise preliminar realizada pelo Instituto Médico Legal de Palmas (IML).

Segundo o médico legista e diretor do instituto, Eduardo Godinho, o corpo da criança apresentava diversos sinais de violência.

“No exame preliminar, a causa da morte, aparentemente, foi uma laceração intestinal e a perda de sangue. Ele teve hemorragia interna e externa, o que levou à morte”, explicou o diretor, em entrevista à TV Anhanguera.

Gustavo foi encontrado em uma residência na região norte de Palmas, na segunda-feira, 3 de agosto. O imóvel foi localizado depois que o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, pai da criança, procurou a Polícia Civil para comunicar a morte do filho.

Segundo a versão inicialmente apresentada, o menino teria passado por uma aparente situação de afogamento em uma piscina.

Um inquérito policial foi instaurado para esclarecer as circunstâncias da morte e apurar uma possível participação do pai da criança. Igor Gustavo prestou depoimento e foi liberado após entregar as chaves do imóvel à polícia.

Os pais do menino não eram casados. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, a mãe da criança havia sido vítima de ameaças em 2023.

Gustavo Veloso Feitosa, de três anos, morreu após sofrer laceração intestinal e hemorragia interna. FOTO: Reprodução.

Polícia aguarda conclusão dos laudos

O delegado Eduardo Menezes, da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), informou que o pai da criança é investigado. Entretanto, a polícia aguarda a conclusão dos laudos periciais antes de definir a linha da investigação.

“Foram constatados alguns indícios de violência no corpo, e a DHPP foi acionada. Agora, estamos investigando para determinar se houve uma agressão por parte do pai ou se ocorreu, de fato, um homicídio”, afirmou.

O delegado ressaltou que o laudo cadavérico será fundamental para esclarecer se a morte foi provocada por um acidente ou por uma ação criminosa.

“Vamos aguardar inicialmente a confecção dos laudos. O laudo cadavérico traz muitas informações importantes para definir se houve um acidente ou um homicídio”, acrescentou.

Defesa relata aparente afogamento

A defesa de Igor Gustavo afirma que ele estava com o filho em uma piscina quando percebeu uma aparente situação de afogamento.

Conforme a versão apresentada, o pai retirou o menino da água e realizou os primeiros socorros. A criança teria voltado a reagir depois de expelir a água ingerida.

Ainda segundo a defesa, diante da aparente melhora do menino, Igor Gustavo deu banho no filho e o colocou para descansar.

Na manhã de segunda-feira, o pai teria percebido que a criança não respondia e não apresentava sinais vitais. A defesa sustenta que, abalado e desorientado, ele deixou a residência.

Posteriormente, Igor Gustavo apresentou-se espontaneamente à delegacia, comunicou o ocorrido, prestou esclarecimentos e entregou as chaves do imóvel para que os policiais e os peritos realizassem os trabalhos no local.

Igor Gustavo Veloso de Sousa, pai da criança, é investigado. FOTO: Redes sociais.

IML não encontrou sinais de afogamento

O diretor do IML afirmou que o corpo da criança apresentava marcas de agressões em diferentes regiões.

“Muita violência, sinais de violência na face, no intestino e internamente. Isso não é comum nos dias de hoje”, declarou Eduardo Godinho.

De acordo com o médico legista, o exame preliminar não identificou sinais de afogamento.

“Até agora, pelo primeiro exame, não há nenhum indício de afogamento. Foi realmente outro tipo de trauma que levou à morte”, afirmou.

Godinho também declarou que nunca havia presenciado um caso semelhante durante os 18 anos em que atua como médico legista.

“Eu nunca, nesses 18 anos como legista, tinha visto um caso como esse no nosso estado. Realmente, é uma situação muito difícil, não apenas para nós, mas para toda a família da criança e para a população tocantinense. Não é uma situação natural ou normal de se ver no estado do Tocantins”, disse.

Investigação continua

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO), o pai da criança procurou a 1ª Central de Atendimento da Polícia Civil durante a tarde de segunda-feira para comunicar a morte.

Familiares e testemunhas começaram a prestar depoimentos ainda na noite do mesmo dia.

Peritos realizaram exames no imóvel e no corpo da criança para determinar a causa e o horário da morte. O caso permanece sob investigação da 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa de Palmas.

A Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional Tocantins (OAB-TO) informou que acompanha o caso e aguarda o avanço das investigações pelas autoridades responsáveis para o devido esclarecimento dos fatos.

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