CHACINA DE FORMOSA – Imagens reforçam hipótese de execução após cobrança de R$ 250 mil.
Sargento da reserva, Matusalém Silvério da Silva se entregou nesta sexta-feira (14), enquanto forças de segurança mantêm buscas por seu filho e por um terceiro investigado com prisão preventiva decretada.
Roberto Naborfazan
Uma cobrança de R$ 250 mil relacionada à venda de um caminhão é apontada pela investigação como o possível estopim da chacina que terminou com quatro homens mortos a tiros no Setor Parque Lago, em Formosa, no Entorno do Distrito Federal. O crime, ocorrido na terça-feira (11), mobilizou uma grande operação das forças de segurança e resultou na prisão, nesta sexta-feira (14), do policial militar da reserva Matusalém Silvério da Silva, apontado como um dos envolvidos nos homicídios. Outros dois investigados continuavam sendo procurados.

A violência do ataque é uma das características que mais chamam a atenção dos investigadores. Os quatro homens foram atingidos por disparos no Setor Parque Lago. A caminhonete Volkswagen Amarok utilizada pelo grupo foi atingida por cerca de 25 tiros. Duas vítimas foram encontradas dentro do veículo e outras duas caídas na via pública.
As vítimas foram identificadas como Luiz Antônio Rodrigues, o Nego; Gustavo Fernandes Graças; Gustavo Aurélio Miguel; e André Luiz Ferreira Silva, conhecido como Tarobá.
Luiz Antônio e Gustavo Fernandes tinham ligação direta com São João d’Aliança. Nego era sogro de Gustavo, que atuou na administração municipal. Entre 2017 e 2019, Gustavo exerceu funções nas áreas de Agricultura e Transportes e, entre 2020 e 2024, esteve ligado à Secretaria Municipal de Transportes. Gustavo Aurélio e André Ferreira eram de Casa Branca, no interior de São Paulo.
Vítimas




Dívida de R$ 250 mil está no centro da investigação
A principal linha investigativa relaciona o encontro que antecedeu as mortes à cobrança de uma dívida de aproximadamente R$ 250 mil, decorrente da negociação de um caminhão. Segundo as informações levantadas até agora, o grupo foi a Formosa para receber o valor.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que os quatro tenham sido vítimas de uma execução premeditada. De acordo com o delegado responsável pelo caso, imagens de câmeras de monitoramento analisadas durante a investigação indicariam que não houve disparos partindo dos homens que foram mortos.
Veja o vídeo de uma Câmera de Monitoramento que mostra a chegada da camionete com as quatro vítimas, e a sequência de tiros dados pelos três suspeitos.
Essa informação é relevante porque diverge da versão apresentada pelo policial militar da reserva.
Matusalém afirmou publicamente que teria agido em legítima defesa. Segundo sua versão, o filho teria telefonado dizendo que estava sendo perseguido e que integrantes do outro grupo haviam efetuado disparos. O policial declarou ainda que, quando a caminhonete chegou à residência, um tiro teria sido efetuado de dentro do veículo em direção ao imóvel, levando-o a reagir.
A versão apresentada pelo investigado, no entanto, ainda é objeto de apuração e deverá ser confrontada com imagens, perícias, depoimentos e demais elementos reunidos pela Polícia Civil. As informações divulgadas pela investigação sobre as imagens de monitoramento apontam, até o momento, para uma dinâmica diferente da relatada pelo militar.
Suspeitos chegaram a se apresentar e foram liberados
Além de Matusalém, são investigados Maurício Corrêa Silvério da Silva, filho do policial, e Rodrigo Anderson Barbosa, apontado como seu irmão de criação.
Os três chegaram a comparecer à Polícia Civil acompanhados de advogado antes da decretação das prisões preventivas. Como naquele momento não existia mandado de prisão em aberto contra eles, foram ouvidos e deixaram a unidade policial.

Com o avanço das investigações e a reunião de novos elementos, a Polícia Civil pediu à Justiça a prisão dos investigados e a expedição de mandados de busca e apreensão. Os pedidos foram deferidos, dando início a uma nova etapa da operação.
Forças de segurança ampliam operação
Nesta sexta-feira (14), uma grande mobilização policial foi realizada para localizar os investigados e cumprir as decisões judiciais.
A ação, denominada Operação Garantia da Ordem, foi conduzida pelo Grupo de Investigações de Homicídios (GIH) de Formosa e contou com atuação integrada da Polícia Civil e da Polícia Militar, além de equipes especializadas. O objetivo foi cumprir mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão relacionados ao quádruplo homicídio.

Equipes do Comando de Policiamento Especializado (CPE) e do Grupamento de Radiopatrulha Aérea (GRAER) participaram das diligências, ampliando o cerco aos investigados.
Em vídeo, o Delegado José Antônio Machado Sena, responsável pela 11ª Delegacia Regional de Polícia, e o Tenente-Coronel Jader da Silva, Comandante do 16º Batalhão da Polícia Militar (Batalhão Itiquira – Formosa), relataram como está o andamento do caso.
Veja abaixo.
Matusalém acabou se apresentando em uma delegacia de São Luís de Montes Belos, no oeste de Goiás, nesta sexta-feira. Com a prisão preventiva já decretada, ele permaneceu detido. Armas relacionadas ao crime também foram entregues e apreendidas para serem submetidas à investigação.
Enquanto isso, as equipes policiais mantiveram as buscas por Maurício Corrêa Silvério da Silva e Rodrigo Anderson Barbosa, que não haviam sido encontrados durante a operação até a atualização mais recente do caso.
Crime provoca repercussão em São João d’Aliança
A chacina teve forte repercussão em São João d’Aliança principalmente pela morte de Luiz Antônio Rodrigues e Gustavo Fernandes Graças.
Gustavo era conhecido no município pela atuação na administração pública e havia ocupado funções nas áreas de Agricultura e Transportes durante vários anos. Luiz Antônio, conhecido como Nego, também tinha vínculos com a cidade e era sogro do ex-secretário.
O que começou, segundo a principal linha da investigação, como uma viagem para a cobrança de uma dívida de R$ 250 mil, terminou com quatro homens mortos, dezenas de disparos e uma das ocorrências policiais de maior repercussão registrada recentemente em Formosa.
Agora, a investigação busca esclarecer a participação individual de cada suspeito, confirmar a dinâmica dos disparos e determinar se os quatro homens foram atraídos ou surpreendidos em uma ação previamente planejada.
A Polícia Civil também deverá utilizar os exames periciais, imagens de câmeras de segurança, depoimentos e a análise das armas apreendidas para reconstruir os momentos que antecederam e sucederam o crime.


