TRÊS ANOS DEPOIS DO SEQUESTRO – Polícia aponta pai como mandante e conclui que menina desaparecida foi assassinada.

Evellyn desapareceu aos 8 anos, após ser retirada de salão de beleza com a mãe; investigação aponta que criança foi mantida em cativeiro antes de ser assassinada e ter o corpo ocultado.

Roberto Naborfazan

Três anos depois do desaparecimento de Evellyn Jasmin Machado Acacio, sequestrada aos 8 anos em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu que a menina foi assassinada. O resultado da investigação foi divulgado na quinta-feira (27), com o indiciamento de quatro pessoas. Entre elas está o pai da criança, Sildirley Silva Acacio Machado, apontado pela polícia como mandante de uma emboscada que também terminou com as mortes da mãe de Evellyn e de uma cabeleireira.

Os restos mortais da menina ainda não foram encontrados. Segundo a investigação, porém, um dos envolvidos confessou o crime e indicou aos policiais o local onde o corpo teria sido ocultado.

O caso começou em 21 de junho de 2023 e envolveu uma sequência de crimes em diferentes pontos da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Emboscada começou dentro de salão de beleza

Naquele dia, Katlyn Oliveira estava com a filha Evellyn em um salão de beleza no bairro General Carneiro, em Sabará.

Segundo a Polícia Civil, dois homens chegaram ao estabelecimento para executar um plano que teria sido encomendado por Sildirley, ex-companheiro de Katlyn e pai da menina.

A cabeleireira Ana Raquel Brito, amiga de Katlyn e proprietária do salão, tentou impedir a ação. Ela foi atingida na cabeça com um martelo e morreu.

Depois do ataque, os criminosos deixaram o estabelecimento levando Katlyn e Evellyn.

O corpo de Ana Raquel seria encontrado dois dias mais tarde dentro de um carro abandonado às margens da BR-040, próximo ao bairro Morada Nova, em Contagem.

O veículo pertencia a uma mulher que, posteriormente, também foi indiciada pela Polícia Civil por suposta participação no crime.

Evellyn Jasmin, sua mãe, Katlyn Oliveira , e a cabelereira, Ana Raquel Brito, foram mortas após emboscada planejada pelo pao da criança. FOTO: Reprodução

Katlyn tentou escapar durante o trajeto

Depois de ser retirada do salão, Katlyn foi levada no veículo junto com a filha.

Durante o percurso, ela conseguiu pular do carro e tentou fugir correndo pelas ruas. Imagens de câmeras de segurança registraram parte da tentativa de fuga.

Segundo a investigação, os criminosos perseguiram Katlyn com o veículo, alcançaram a mulher e a assassinaram.

O corpo foi localizado no bairro Nações Unidas.

Com a mãe morta, Evellyn continuou sob o poder dos sequestradores.

Menina foi mantida em cativeiro

A investigação aponta que Evellyn foi levada para um sítio na região de Ravena, distrito de Sabará, onde permaneceu em cativeiro durante parte daquele dia.

Segundo a Polícia Civil, os envolvidos inicialmente tentaram fazer contato com Sildirley, mas não conseguiram.

A partir daí, conforme a apuração, os criminosos decidiram matar a menina. Eles também teriam considerado que Evellyn poderia reconhecê-los e identificá-los caso fosse libertada, já que a criança conhecia os suspeitos.

Evellyn foi então levada para uma área de mata, onde, segundo a investigação, foi assassinada. O corpo teria sido ocultado posteriormente.

Desde aquele 21 de junho de 2023, a menina nunca mais foi vista.

Celular foi encontrado na cela do pai no dia seguinte

Um elemento importante para a investigação surgiu logo após o crime.

Sildirley já estava preso em uma unidade de segurança máxima quando Katlyn e Evellyn foram sequestradas.

No dia seguinte ao crime, 22 de junho de 2023, agentes penitenciários encontraram um telefone celular dentro da cela onde ele estava, na Penitenciária de Francisco Sá, no Norte de Minas Gerais.

A existência do aparelho passou a integrar a investigação sobre como o crime teria sido planejado e coordenado mesmo com Sildirley dentro do sistema prisional.

Polícia aponta vingança contra ex-companheira

De acordo com o delegado Murillo Ribeiro de Lima, responsável pela investigação, o alvo inicial do plano seria Katlyn.

A Polícia Civil afirma que Sildirley pretendia sequestrar a ex-companheira para submetê-la a agressões que a deixassem cega.

A motivação estaria relacionada a publicações feitas por Katlyn nas redes sociais. Nas postagens, ela responsabilizava o ex-marido pela morte de seu novo companheiro, ocorrida em 2022.

Ainda segundo a investigação, Sildirley acreditava que, caso Katlyn perdesse a visão, deixaria de fazer denúncias e acusações contra ele pela internet.

A apuração também apontou que as ameaças não teriam começado com o sequestro de junho de 2023. Meses antes, conforme a Polícia Civil, Sildirley já teria ordenado outras violências contra a ex-companheira, incluindo que ela tivesse as pernas quebradas e fosse vítima de violência sexual.

Confissão levou polícia a procurar corpo de Evellyn

Ao longo da investigação, um dos suspeitos confessou participação no assassinato de Evellyn e revelou aos policiais a área onde o corpo teria sido deixado.

A informação levou a Polícia Civil a realizar buscas no local indicado.

Em julho de 2026, equipes voltaram à região à procura dos restos mortais da criança, mas nada foi encontrado.

Apesar disso, o conjunto de provas reunido durante os três anos de investigação levou a Polícia Civil a concluir que Evellyn foi assassinada após o sequestro.

Quatro pessoas foram indiciadas

Com a conclusão do inquérito, quatro pessoas foram apontadas pela Polícia Civil como responsáveis pelos crimes.

Sildirley Silva Acacio Machado, pai de Evellyn, foi indiciado e apontado como mandante.

Uma mulher que, segundo a investigação, mantinha um relacionamento com Sildirley e era proprietária do veículo utilizado na ação também foi indiciada.

Outros dois homens foram apontados como responsáveis pela execução do sequestro e dos assassinatos.

Um deles, que segundo a polícia teria participado diretamente da morte de Evellyn, morreu em setembro de 2024 enquanto estava no sistema prisional. Em razão da morte, ele não poderá ser responsabilizado criminalmente pela Justiça.

A conclusão do inquérito encerra uma das etapas da investigação iniciada após o desaparecimento de Evellyn, mas deixa uma questão ainda sem resposta para a família: quase três anos depois do sequestro, o corpo da menina continua sem ser localizado.

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