REGIÃO DE TERRA RONCA – Após oito dias de luta contra o fogo, equipes e brigadistas voluntários vencem incêndio na Serra Geral. VÍDEO.
Incêndio atingiu aproximadamente 14,1 mil hectares da Área de Proteção Ambiental (APA) Serra Geral de Goiás, no Nordeste goiano. Mobilização reuniu Bombeiros, Semad, PrevFogo/Ibama, ICMBio, brigadistas da região e equipes de apoio em áreas de difícil acesso.
Roberto Naborfazan
Depois de oito dias de trabalho intenso em serras, encostas e áreas de difícil acesso, terminou a operação de combate ao incêndio que atingiu aproximadamente 14,1 mil hectares da Área de Proteção Ambiental (APA) Serra Geral de Goiás, no Nordeste goiano. Mais de 120 pessoas passaram pelas frentes de combate, entre bombeiros militares, agentes ambientais, equipes de apoio e brigadistas voluntários mobilizados na região, que se somaram ao esforço para conter o avanço das chamas.
O incêndio teve início em 10 de agosto e obrigou as equipes a manterem uma operação contínua de combate, monitoramento e apoio durante os dias seguintes. A extensão da área atingida dá a dimensão do desafio: os cerca de 14,1 mil hectares sob influência do fogo correspondem a aproximadamente 20,2% dos cerca de 70 mil hectares que formam a APA Serra Geral de Goiás.
A maior parte da área queimada está no Parque Estadual de Terra Ronca (Peter). As estimativas indicam que aproximadamente 80% da área afetada, ou cerca de 11.288 hectares, estão dentro do parque. Os outros 20%, aproximadamente 2,8 mil hectares, estão na Reserva Extrativista Recanto das Araras de Terra Ronca.
O Parque Estadual de Terra Ronca possui aproximadamente 57 mil hectares, enquanto a Reserva Extrativista ocupa cerca de 12,3 mil hectares.
Veja parte da área atingida no vídeo abaixo.
Combate exigiu atuação em várias frentes
As características do terreno tornaram o trabalho ainda mais complexo. O incêndio avançou por diferentes setores da região e obrigou as equipes a trabalharem simultaneamente em serras, encostas e locais de difícil acesso, além de pontos próximos a comunidades e rodovias.
Entre as áreas que receberam equipes estão as regiões da Angélica, Morro Redondo, Palmeiras e Serra Geral.
A estratégia envolveu combate terrestre, monitoramento permanente das frentes de fogo e posicionamento de brigadistas tanto na parte alta da serra quanto nas encostas.
Nesse cenário, a presença dos brigadistas voluntários mobilizados na região ganhou importância dentro da estrutura de resposta. Ao lado dos profissionais dos órgãos públicos, eles integraram as equipes que permaneceram em campo durante os vários dias de operação, contribuindo para manter as frentes de combate e monitoramento em funcionamento enquanto o incêndio ainda apresentava risco de propagação.
A participação dos voluntários se somou ao trabalho do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), do PrevFogo/Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Foi uma mobilização que exigiu resistência e continuidade. Entre 11 e 18 de agosto, mais de 120 pessoas trabalharam em sistema de revezamento. A média foi de aproximadamente 38 combatentes por dia, chegando, nos momentos de maior mobilização, a até 55 bombeiros e brigadistas atuando simultaneamente em campo.


O revezamento foi fundamental para manter as ações durante sucessivos dias de combate, enquanto diferentes pontos da APA precisavam ser acompanhados para evitar que novas frentes ganhassem força.
Último foco foi controlado em Morro Redondo
Uma das últimas frentes ativas estava localizada na região de Morro Redondo. O foco foi declarado debelado no dia 18 de agosto, permitindo o encerramento da etapa mais intensa da operação.
Com a supressão das frentes ativas, o trabalho não termina imediatamente. A região entra agora em uma fase de monitoramento.
As equipes continuarão acompanhando as áreas atingidas para identificar possíveis pontos quentes e evitar reignições, situação comum após grandes incêndios florestais, quando brasas e material vegetal ainda podem permanecer aquecidos mesmo depois do desaparecimento das chamas superficiais.
A operação integrada permitiu distribuir recursos humanos e operacionais por diferentes pontos da APA Serra Geral e do Parque Estadual de Terra Ronca, mantendo equipes em campo até que as principais frentes fossem controladas.
Fiscalização investiga origem do incêndio
Enquanto bombeiros e brigadistas trabalhavam diretamente no combate às chamas, equipes de fiscalização ambiental realizavam vistorias e levantamentos para tentar estabelecer as circunstâncias e a origem dos incêndios.
As diligências já resultaram em notificações administrativas e na abertura de procedimentos de apuração e inquéritos.
As investigações seguem no âmbito da Semad e do Ibama e poderão identificar eventuais responsáveis. Caso sejam constatadas irregularidades, poderão ser adotadas as medidas administrativas e legais previstas.
Estiagem mantém risco elevado
Mesmo com o encerramento da operação na Serra Geral, o risco de novos incêndios permanece elevado.
O Gabinete de Ações Integradas do Estado de Goiás, força-tarefa permanente criada pelo Governo do Estado para coordenar ações de prevenção, monitoramento e combate aos incêndios florestais e aos impactos da estiagem, reforçou o alerta para todo o território goiano.
Por meio da Semad, o órgão pede máxima cautela com qualquer atividade que envolva fogo, especialmente nas áreas rurais.
Segundo o alerta estadual, as condições climáticas associadas ao El Niño aumentam o risco de ocorrência e propagação de incêndios florestais. Com a vegetação seca e a baixa umidade, o fogo pode se espalhar rapidamente, dificultando o trabalho das equipes de combate.
A recomendação é para que produtores rurais, moradores e demais usuários do território evitem práticas que envolvam fogo e reforcem as medidas preventivas durante o período de estiagem.
Na Serra Geral, o fim das frentes ativas encerra uma operação de oito dias marcada pela mobilização conjunta de instituições públicas, profissionais especializados, equipes de apoio e brigadistas voluntários que deixaram suas atividades para se juntar ao esforço de proteção de uma das mais importantes áreas ambientais do Nordeste goiano.
FONTE: Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – Governo de Goiás


