HOSPITAIS PRIVADOS E FILANTRÓPICOS – SUS amplia atendimentos oftalmológicos e Goiás terá mais de 6,5 mil novos procedimentos.
Oftalmologia lidera expansão nacional do programa Agora Tem Especialistas, com previsão de 170 mil atendimentos por ano; em Goiás, investimento chega a R$ 29,3 milhões.
Roberto Naborfazan
A ampliação dos atendimentos especializados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) terá a oftalmologia como uma de suas principais frentes. A especialidade concentra a maior previsão de procedimentos dentro dos contratos firmados pelo Ministério da Saúde com hospitais privados e filantrópicos: serão cerca de 170 mil atendimentos oftalmológicos por ano em todo o país.
A iniciativa faz parte do programa Agora Tem Especialistas, criado para ampliar a oferta de consultas, exames e cirurgias e reduzir o tempo de espera dos pacientes que dependem da rede pública.
Em Goiás, estão previstos 6.576 procedimentos, com investimento de R$ 29.371.023,84. O contrato firmado no estado contempla uma unidade em Goiânia, onde os atendimentos serão realizados por meio do Instituto de Gestão e Humanização (IGH).
Em todo o Brasil, o Ministério da Saúde já formalizou aproximadamente R$ 1 bilhão em contratos com 259 instituições privadas e filantrópicas de 21 estados. A expectativa é realizar mais de 600 mil procedimentos gratuitos para pacientes do SUS.
Oftalmologia concentra maior número de procedimentos
Entre as especialidades contempladas pelo programa, a oftalmologia aparece na liderança, com previsão de 170 mil procedimentos por ano.
Na sequência estão cardiologia, com 133 mil; ortopedia, com 113 mil; e oncologia, com 72 mil procedimentos anuais.
A ampliação é especialmente relevante diante da demanda acumulada por consultas, exames diagnósticos e cirurgias especializadas na rede pública. Ao incorporar a capacidade instalada de hospitais privados e filantrópicos, o governo busca aumentar o número de pacientes atendidos e acelerar procedimentos que aguardam nas filas do SUS.
A estratégia permite que essas instituições recebam pacientes encaminhados pela rede pública. Em contrapartida, os hospitais obtêm créditos financeiros que podem ser utilizados para abatimento de tributos federais.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o objetivo é utilizar essa capacidade adicional para reduzir o tempo de espera por atendimento especializado.
“A gente pode ter no SUS um atendimento rápido, reduzindo o tempo que as pessoas estão esperando nas filas. Para isso que a gente fez o Agora Tem Especialistas, que está ajudando cidades, como Goiânia, a fazer mais cirurgias, mais exames, mais consultas especializadas”, afirmou o ministro.
Consultas e exames em um mesmo percurso de atendimento
Dos cerca de 600 mil procedimentos previstos em todo o país, 458 mil serão realizados por meio das chamadas Ofertas de Cuidados Integrados (OCI).
O modelo reúne consultas, exames e diagnóstico relacionados a uma mesma especialidade em um único percurso assistencial. A proposta é evitar que o paciente precise procurar diferentes unidades para concluir cada etapa do atendimento.
Na prática, o formato busca diminuir a chamada “peregrinação” do usuário pela rede e tornar mais rápido o caminho entre a consulta inicial, os exames necessários e a definição do tratamento.
Outros 142 mil procedimentos previstos correspondem a cirurgias de diferentes níveis de complexidade nas áreas de oftalmologia, cardiologia, ortopedia, oncologia, ginecologia e otorrinolaringologia.

Rede privada e filantrópica reforça capacidade do SUS
A utilização de hospitais privados e filantrópicos é uma das estratégias do Agora Tem Especialistas para ampliar a capacidade de atendimento do SUS sem depender exclusivamente da estrutura própria da rede pública.
As instituições participantes realizam os procedimentos destinados aos pacientes do SUS e recebem créditos financeiros como compensação. Esses créditos podem ser utilizados para abatimento de tributos federais.
Com isso, o Ministério da Saúde pretende aproveitar estruturas, equipes médicas e equipamentos já existentes para aumentar a quantidade de consultas, exames e cirurgias realizadas.
Terapia renal também passa a integrar programa
Outra novidade do componente de crédito financeiro é a inclusão da Terapia Renal Substitutiva (TRS), utilizada principalmente no atendimento de pessoas que necessitam de hemodiálise.
A modalidade já conta com 136 instituições vinculadas ao programa.
Ao todo, R$ 350 milhões dos contratos foram destinados à terapia renal substitutiva. Segundo o Ministério da Saúde, o valor permite garantir atendimento continuado a aproximadamente 40 mil pacientes por mês.
A inclusão amplia o alcance do programa para além dos procedimentos eletivos, incorporando também tratamentos que exigem assistência permanente e recorrente.
Atendimentos já começaram a chegar aos pacientes
Parte da ampliação prevista nos contratos já começou a se transformar em atendimento direto à população.
Segundo os dados divulgados, 23 estabelecimentos já tiveram a produção validada pelo Ministério da Saúde.
Até agora, foram registrados cerca de 6,2 mil procedimentos envolvendo 7,2 mil pacientes do SUS. A produção validada representa aproximadamente R$ 26 milhões em consultas, exames e cirurgias já realizados.
A expectativa é que, com a expansão dos contratos e a entrada de novas unidades na estratégia, o volume de atendimentos aumente gradualmente, principalmente nas especialidades com maior demanda represada, como a oftalmologia.


