SAÚDE FEMININA – Menopausa e osteoporose: como proteger os ossos
Embora os números não se restrinjam a casos associados à menopausa, eles ajudam a dimensionar o impacto das fraturas na população idosa. Alimentação adequada, boa ingestão de cálcio e vitamina D e exercício físico regular formam a base da prevenção.
Por Gabriela Martins*
A menopausa exige atenção redobrada à saúde dos ossos. Com a queda do estrogênio, a perda de massa óssea se acelera, aumentando o risco de osteoporose e fraturas, muitas vezes sem sinais prévios. Alimentação adequada, exercícios físicos e acompanhamento médico são fundamentais para preservar a resistência dos ossos e reduzir os riscos nessa fase da vida.
Entre 2013 e 2023, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 45,4 mil internações de idosos por fratura de fêmur no Paraná e 25 mil em Santa Catarina. Nos dois estados, cerca de sete em cada dez pacientes eram mulheres, segundo levantamento publicado em 2025 com dados do DATASUS. Embora os números não se restrinjam a casos associados à menopausa, eles ajudam a dimensionar o impacto das fraturas na população idosa.
Os números chamam a atenção para um problema que afeta especialmente a saúde feminina: a osteoporose. Silenciosa, a doença provoca a perda progressiva de massa óssea e aumenta a fragilidade dos ossos. Muitas vezes, a primeira manifestação é justamente uma fratura. Na menopausa, esse processo pode ganhar velocidade e exige atenção redobrada à prevenção.
Segundo a Dra. Ana Glauce, ginecologista do laboratório Exame, marca Dasa no Distrito Federal, a principal ligação entre menopausa e osteoporose está na redução do estrogênio, hormônio que participa da regulação da renovação óssea.
Com a queda hormonal, o organismo passa a reabsorver mais tecido ósseo do que consegue formar, favorecendo a diminuição da massa óssea.
A menopausa não causa a osteoporose sozinha, mas acelera um processo que já está em curso. Os primeiros anos depois da última menstruação são a fase na qual mais se perde massa óssea e é quando a prevenção precisa se intensificar
Um estudo internacional publicado em junho de 2025 na revista científica Calcified Tissue International, conduzido na Universidade Deakin, na Austrália, reforça essa preocupação. A pesquisa analisou dados de 287 mulheres que relataram menopausa recente e identificou maior perda óssea na coluna lombar e no antebraço durante os primeiros cinco anos após a última menstruação.
A proporção de mulheres com osteopenia, estágio de redução da massa óssea que pode preceder a osteoporose, e com osteoporose também aumentou conforme o tempo transcorrido desde a menopausa: menos de cinco anos, de cinco a dez anos e mais de dez anos. Entre as participantes que utilizavam terapia hormonal, não foram observadas diferenças entre esses períodos. A indicação do tratamento, porém, deve ser individualizada e discutida com o médico.

Alimentação e vitamina D: o que não pode faltar
A prevenção da osteoporose começa à mesa. O cálcio é um dos principais componentes dos ossos, e a ingestão adequada desse mineral ajuda a preservar a saúde óssea ao longo do envelhecimento.
As recomendações costumam variar de 1.000 a 1.200 miligramas de cálcio por dia para mulheres na pós-menopausa, conforme a faixa etária e as necessidades individuais. Sempre que possível, a quantidade deve ser obtida pela alimentação.
Leite e derivados, sardinha e outros peixes consumidos com as espinhas, vegetais verde-escuros, como couve e brócolis, tofu e oleaginosas são algumas das fontes do mineral. A suplementação pode ser necessária em determinadas situações, mas deve ser orientada por um profissional de saúde, já que o excesso também pode trazer riscos.
A alimentação equilibrada deve incluir ainda proteínas em quantidade adequada, importantes para a manutenção dos músculos e dos ossos. Reduzir o consumo excessivo de sal, moderar a ingestão de bebidas alcoólicas e abandonar o cigarro também fazem parte dos cuidados preventivos.
Outro nutriente fundamental é a vitamina D, que favorece a absorção intestinal do cálcio. De acordo com a Dra. Flávia Pieroni, endocrinologista do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, marca Dasa em Minas Gerais, a exposição solar regular e moderada pode contribuir para a produção dessa vitamina. A orientação deve considerar as condições individuais e os cuidados necessários para proteger a pele. Alimentos como peixes gordurosos e ovos também fornecem vitamina D, embora a contribuição alimentar costume ser limitada.
“A deficiência é frequente, inclusive em países ensolarados como o Brasil, e só o exame de sangue mostra se os níveis estão adequados. Quando a reposição é necessária, deve ser prescrita.” Dra. Flávia Pieroni
Musculação e exercícios ajudam a fortalecer os ossos
Além da alimentação, a atividade física regular é uma das principais aliadas da saúde óssea durante e após a menopausa. Exercícios de força, como a musculação, estimulam os músculos e os ossos, ajudando a preservar a massa óssea.
Atividades com sustentação do próprio peso, como caminhada, dança e subida de escadas, também podem contribuir para esse objetivo. Já os exercícios de equilíbrio e coordenação ajudam a reduzir o risco de quedas, uma das principais causas de fraturas em pessoas idosas.
A escolha das atividades deve levar em conta a condição física, o histórico de saúde e o risco de fraturas de cada mulhe r, preferencialmente com orientação profissional.
“Não existe atalho. Cálcio na alimentação, vitamina D em nível adequado e exercício com carga são a base. O medicamento entra quando o risco de fratura justifica, e não substitui esses hábitos”, afirma a Dra. Ana Glauce.
Em mulheres com osteoporose diagnosticada ou risco elevado de fratura, os cuidados podem precisar ser ampliados. Nesses casos, o médico avalia a necessidade de medicamentos específicos, considerando os resultados dos exames e o histórico clínico.
Quais exames ajudam a identificar a osteoporose?
Como a perda de massa óssea costuma evoluir sem sintomas, o acompanhamento médico é importante para identificar precocemente as mulheres que precisam de investigação.
A densitometria óssea, também chamada de DXA, é o principal exame para avaliar a densidade mineral dos ossos e auxiliar no diagnóstico da osteoporose. Em geral, é recomendada para mulheres a partir dos 65 anos ou, antes dessa idade, na pós-menopausa quando existem fatores de risco.
Entre eles estão a menopausa precoce, antes dos 40 anos, ou antecipada, entre os 40 e os 45 anos; baixo peso corporal; tabagismo; uso prolongado de corticoides; e histórico de fratura de quadril em pai ou mãe.
Também merecem atenção as fraturas por fragilidade óssea, que ocorrem após impactos leves, como uma queda da própria altura. Fraturas decorrentes de acidentes ou traumas de grande intensidade têm outra interpretação clínica e não devem ser consideradas equivalentes.
Os exames de sangue complementam a avaliação. Eles não diagnosticam a osteoporose por si só, mas ajudam a identificar alterações metabólicas e outras condições que podem contribuir para a perda óssea.
Conforme a indicação médica, a investigação pode incluir dosagens de cálcio, fósforo, vitamina D — medida pela 25-hidroxivitamina D — e paratormônio (PTH). Outros exames, como creatinina, fosfatase alcalina, TSH e cálcio na urina de 24 horas, podem ser solicitados de acordo com o histórico e os resultados iniciais.
Há ainda marcadores de remodelação óssea, como CTX e P1NP, que ajudam a avaliar o ritmo de reabsorção e formação do tecido ósseo. Eles são utilizados principalmente para acompanhar a resposta ao tratamento em situações específicas.
O exame de sangue não faz o diagnóstico de osteoporose, que depende da densitometria, mas mostra se há uma causa por trás da perda óssea, como alteração de paratireoide ou de tireoide e deficiência de vitamina D
Dra. Flávia Pieroni.
Prevenção começa antes das fraturas
Embora a menopausa seja uma fase de maior atenção à saúde dos ossos, a prevenção deve fazer parte do cuidado feminino ao longo da vida. Manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente, evitar o tabagismo e investigar fatores de risco são medidas que ajudam a preservar a massa óssea.
Para mulheres que estão na transição para a menopausa ou já passaram pela última menstruação, o acompanhamento individualizado permite definir quais cuidados e exames são necessários em cada fase.
“Quem tem fatores de risco deve conversar com o ginecologista ou com o médico de referência sobre o momento de fazer os exames e de montar um plano de prevenção”, orienta a endocrinologista.
**FONTE: Delas.


