EMBOSCADA EM FORMOSA – Falso acerto financeiro antecedeu quatro mortes, aponta investigação.

Investigação aponta emboscada, associação criminosa armada e posse ilegal de acessório de uso restrito. Três investigados foram indiciados pelas quatro mortes; segundo a polícia, associação também atuava em São João d’Aliança.

Roberto Naborfazan

A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito sobre a chacina no Setor Parque Lago, em Formosa, e indiciou três investigados por quádruplo homicídio triplamente qualificado, associação criminosa armada e posse ilegal de acessório de uso restrito. Segundo o Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) do município, as quatro vítimas foram atraídas para uma emboscada sob o falso pretexto de realizar um acerto financeiro e recuperar um veículo que estava retido.

De acordo com as conclusões divulgadas pela corporação, o encontro foi utilizado para surpreender as vítimas. Ao chegarem ao endereço combinado, elas foram atingidas por um intenso volume de disparos de armas de alto poder de fogo, sem oportunidade de defesa.

O inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário para subsidiar as medidas legais cabíveis. Apesar do encerramento dessa etapa, outras diligências continuam em andamento para esclarecer os desdobramentos do caso, inclusive circunstâncias relacionadas a gravações de câmeras de segurança recuperadas pela perícia.

Camionete Volkswagen Amarok utilizada pelas vítimas recebeu cerca de 25 tiros. FOTO: Arquivo/Jornal O VETOR

Acerto financeiro teria sido usado para atrair as vítimas

Segundo a Polícia Civil, a apuração demonstrou que as mortes estavam relacionadas a disputas financeiras, dívidas e cobranças decorrentes de práticas de agiotagem envolvendo o grupo investigado e terceiros.

A promessa de um acerto financeiro e da devolução de um veículo retido teria levado as vítimas até o local do crime. A investigação concluiu que, ao chegarem ao endereço, os quatro homens foram surpreendidos pelo ataque.

Na reconstrução apresentada pelo GIH, o encontro não representou uma tentativa de resolver a pendência financeira: foi o meio utilizado para atrair as vítimas ao local onde ocorreram os homicídios.

Investigação aponta atuação de grupo armado na região

Além das circunstâncias diretamente relacionadas às quatro mortes, a Polícia Civil informou ter identificado uma associação criminosa armada, com atuação em Formosa e São João d’Aliança.

Conforme a corporação, os investigados mantinham uma organização estável e permanente, com atribuições previamente definidas. A atuação do grupo, segundo a apuração, era voltada à prática reiterada de extorsões, ameaças e cobranças violentas.

Essa conclusão levou ao indiciamento por associação criminosa armada, além dos crimes relacionados aos homicídios e à posse de acessório de uso restrito.

As informações divulgadas pela polícia situam a chacina no contexto de uma investigação que também alcança a forma como o grupo realizava cobranças e se relacionava com pessoas envolvidas em disputas financeiras na região.

Algumas das armas usadas para matar as quatro vítimas. FOTO: Divulgação PCGO

Perícia recupera imagens e apura possível apagamento

Durante os trabalhos periciais, foram recuperadas imagens de câmeras de segurança instaladas na residência de um dos investigados. O imóvel fica em frente ao local onde ocorreu o quádruplo homicídio.

Segundo a Polícia Civil, há indícios de que as gravações tenham sido apagadas deliberadamente. Essa circunstância também será investigada.

O material recuperado permanece sob análise dos órgãos periciais e poderá contribuir para esclarecer a dinâmica do ataque e as circunstâncias relacionadas à atuação dos envolvidos.

A recuperação das imagens constitui uma frente de apuração ainda em andamento. O comunicado policial não detalha o conteúdo das gravações nem apresenta uma conclusão pericial sobre o possível apagamento.

Armas, munições e silenciadores foram apreendidos

Nas diligências realizadas no local do crime e durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão nas residências dos investigados, os policiais recolheram armas de fogo, munições, acessórios e supressores de ruído, conhecidos como silenciadores, de uso restrito.

De acordo com a Polícia Civil, a irregularidade dos acessórios de uso restrito foi confirmada junto à Polícia Federal, diante da ausência de registro ou autorização.

A autoridade policial também determinou o envio de um ofício à Polícia Federal para a adoção das providências administrativas cabíveis em relação aos diversos registros de armas de fogo dos envolvidos.

Polícia pede manutenção das prisões preventivas

Ao concluir o inquérito, a autoridade policial representou formalmente pela manutenção da prisão preventiva dos indiciados. O pedido foi fundamentado na garantia da ordem pública e na conveniência da instrução criminal.

A solicitação foi encaminhada para apreciação judicial. O material divulgado não informa uma nova decisão da Justiça sobre esse pedido.

Com o inquérito remetido ao Poder Judiciário, o caso segue para os próximos encaminhamentos legais. Paralelamente, continuam as diligências destinadas a esclarecer circunstâncias e desdobramentos ainda pendentes.

Relembre os fatos

O crime ocorreu em 11 de agosto de 2026, no Setor Parque Lago. Conforme reportagem publicada pelo jornal O VETOR em 14 de agosto (Clique aqui e leia a íntegra da reportagem), a Camionete Volkswagen Amarok utilizada pelas vítimas recebeu cerca de 25 tiros. Dois homens foram encontrados dentro do veículo e dois na rua.

Morreram Luiz Antônio Rodrigues, conhecido como Nego; Gustavo Fernandes Graças; Gustavo Aurélio Miguel; e André Luiz Ferreira Silva, o Tarobá. Luiz Antônio e Gustavo Fernandes tinham vínculos com São João d’Aliança. Gustavo havia atuado na administração municipal e era genro de Luiz Antônio. As outras duas vítimas eram de Casa Branca, em São Paulo.

Na época, a investigação examinava uma cobrança de aproximadamente R$ 250 mil ligada à negociação de um caminhão. A matéria identificou como investigados Matusalém Silvério da Silva, Maurício Corrêa Silvério da Silva e Rodrigo Anderson Barbosa.

Matusalém, policial militar da reserva, apresentou uma versão de legítima defesa. Segundo as informações policiais publicadas naquele momento, porém, imagens indicavam que as vítimas não haviam atirado. Ele se apresentou e ficou preso em 14 de agosto; naquela atualização, os outros dois ainda eram procurados.

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