ABUSO DENTRO DA FAMÍLIA – Pai é preso após filha de 14 anos relatar violência sexual à mãe.

“Quando uma criança ou adolescente conta, é preciso ouvir”. Mãe procurou a DEAM de Planaltina de Goiás após a filha de 14 anos denunciar violência sexual sofrida dentro de casa.

Roberto Naborfazan

Um homem de 39 anos foi preso em flagrante, nesta segunda-feira, 31/08, pela Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Planaltina de Goiás, suspeito de praticar violência sexual contra a própria filha, uma adolescente de 14 anos.

O caso expõe uma das faces mais cruéis da violência sexual: aquela praticada dentro de casa, justamente por quem deveria representar proteção, segurança e confiança para uma criança ou adolescente.

Segundo as informações da Polícia Civil, durante a madrugada o homem teria se aproveitado do momento em que a filha dormia para praticar atos de natureza sexual contra ela.

A adolescente acordou assustada e, chorando, tentou afastar o próprio pai, pedindo para que ele parasse. Ainda conforme o relato policial, o suspeito teria insistido na conduta.

Na manhã seguinte, a jovem encontrou forças para contar à mãe o que havia acontecido. A reação da mãe foi fundamental: ela ouviu a filha, acreditou em sua narrativa e buscou ajuda.

Mãe e filha foram até a DEAM de Planaltina de Goiás, onde relataram o caso. A partir das informações apresentadas, os policiais iniciaram imediatamente as providências necessárias para verificar a denúncia e localizar o suspeito.

Ao ser preso, o sujeito admitiu ter abusado da filha. Fotos: Divulgação PC-GO

DEAM age rapidamente e prende suspeito

Após as primeiras averiguações, uma equipe da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher iniciou diligências para encontrar o homem.

O suspeito foi localizado e preso em flagrante.

A rápida atuação da equipe da DEAM de Planaltina de Goiás demonstra a importância da existência de unidades policiais especializadas e preparadas para atender vítimas de violência, especialmente em ocorrências que envolvem mulheres, crianças e adolescentes.

Mais do que efetuar uma prisão, a atuação policial nesses casos representa o início de uma rede de proteção que pode interromper um ciclo de violência e impedir que a vítima continue exposta ao agressor.

“Eu estava alcoolizado” não apaga a violência

Segundo a Polícia Civil, durante o interrogatório o homem admitiu a prática investigada e alegou que estava sob efeito de álcool no momento dos fatos.

A alegação chama atenção para um argumento recorrente em ocorrências envolvendo diferentes formas de violência: atribuir a conduta ao consumo de bebida alcoólica ou de outras substâncias.

Estar alcoolizado, entretanto, não transforma uma violência sexual em acidente, não diminui o sofrimento provocado à vítima e não pode ser utilizado socialmente como justificativa para uma agressão.

O centro da discussão não deve ser quanto o agressor bebeu, mas aquilo que foi feito contra uma adolescente que, de acordo com a investigação, estava dormindo dentro da própria casa e teve seus limites violados justamente por seu pai.

Álcool não consente pela vítima. Álcool não transforma abuso em engano. E a alegação de embriaguez não deve servir para deslocar a responsabilidade pelo ato praticado.

Veja no vídeo abaixo o momento da prisão do abusador.

Quando uma criança ou adolescente conta, é preciso ouvir

Outro aspecto fundamental desse caso está na atitude da mãe. A adolescente contou o que havia acontecido e foi ouvida.

Para uma criança ou adolescente vítima de violência sexual, revelar um abuso pode ser extremamente difícil. Medo, vergonha, culpa, dependência emocional, ameaças e até receio de destruir a própria família podem fazer com que muitas vítimas permaneçam em silêncio.

A situação pode ser ainda mais complexa quando o suspeito é alguém da própria família ou uma pessoa em quem a criança confiava.

Por isso, diante de um relato de violência sexual, a primeira reação de pais, mães e responsáveis deve ser de acolhimento e proteção.

Não é papel da família realizar interrogatórios ou tentar conduzir uma investigação por conta própria. Também não se deve pressionar a criança ou adolescente para repetir inúmeras vezes aquilo que aconteceu.

É preciso ouvir, proteger e procurar as autoridades.

Desacreditar imediatamente uma criança, acusá-la de mentir ou minimizar aquilo que ela contou pode aumentar ainda mais o sofrimento e permitir que uma situação de violência continue acontecendo.

Neste caso, a atitude da mãe de procurar a DEAM logo após ouvir a filha possibilitou que a Polícia Civil agisse rapidamente.

Denunciar também é uma forma de proteger

Suspeitas e denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes precisam chegar às autoridades o mais rápido possível.

Delegacias da Polícia Civil, especialmente as unidades especializadas, estão entre os locais onde familiares e responsáveis podem procurar atendimento. Em uma situação de emergência ou risco imediato, a Polícia Militar também pode ser acionada pelo telefone 190.

Além da responsabilização de quem eventualmente praticou o crime, a comunicação rápida permite que sejam adotadas medidas para proteger a vítima e para que os procedimentos necessários sejam realizados pelas instituições competentes.

O silêncio, principalmente quando o possível agressor está dentro do ambiente familiar, pode prolongar a violência.

A responsabilidade pela violência sexual jamais é da criança ou do adolescente.

Trabalho especializado

A prisão realizada pela DEAM de Planaltina de Goiás reforça a importância do trabalho especializado desenvolvido pela Polícia Civil no enfrentamento da violência contra mulheres, crianças e adolescentes.

Em situações tão delicadas, rapidez, acolhimento, investigação técnica e proteção da vítima são fundamentais.

No caso de Planaltina, poucas horas separaram o relato feito pela adolescente à mãe, a procura pela delegacia e as diligências que resultaram na localização e prisão do suspeito.

É uma resposta policial necessária diante de um crime que ultrapassa a agressão física ou sexual: quando a violência parte do próprio pai, também existe uma profunda ruptura da confiança que deveria existir dentro da família.

O episódio deixa, acima de tudo, um alerta.

Quando uma criança ou adolescente encontra coragem para dizer que sofreu abuso, os adultos responsáveis por sua proteção precisam estar preparados para ouvir.

Acreditar, acolher, proteger e procurar imediatamente as autoridades pode fazer a diferença entre a continuidade da violência e o início do caminho para interrompê-la.

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Um comentário em “ABUSO DENTRO DA FAMÍLIA – Pai é preso após filha de 14 anos relatar violência sexual à mãe.”

  • 1 de setembro de 2026 em 8:26
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    Muito triste. Q mundo é este????

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