DO GOIÁS SOCIAL AO SENADO – Gracinha recebe apoio de primeiras-damas após trajetória marcada por ações sociais no interior de Goiás.
Da articulação com os 246 municípios ao trabalho junto às comunidades quilombolas do Nordeste Goiano, atuação da ex-primeira-dama ganha espaço na campanha ao Senado.
Roberto Naborfazan
A rede de primeiras-damas, prefeitas e gestoras que ajudou a levar programas sociais aos 246 municípios goianos entrou nesta terça-feira (25) também no centro da campanha eleitoral. Reunidas em Goiânia, cerca de 100 lideranças declararam apoio à candidatura de Gracinha Caiado (União Brasil) ao Senado e à reeleição do governador Daniel Vilela (MDB), levando para a disputa política uma parceria construída ao longo de sete anos e meio na área social e que alcançou desde grandes cidades até comunidades quilombolas do Nordeste Goiano.
Realizado na sede estadual do União Brasil, o encontro reuniu mulheres de diferentes regiões do Estado que participaram da implantação e execução de políticas sociais durante os governos de Ronaldo Caiado. A mobilização teve caráter político e marcou o compromisso das lideranças com as candidaturas de Gracinha e Daniel nas eleições deste ano.
Gracinha deixou a condição de primeira-dama no fim de março, quando Ronaldo Caiado renunciou ao Governo de Goiás para disputar a Presidência da República. Desde então, Daniel Vilela assumiu o governo e Iara Vilela passou a exercer a função de primeira-dama e a coordenação do Goiás Social.
Ao agradecer a mobilização, Gracinha afirmou que o apoio tem significado especial por partir de mulheres que acompanharam de perto sua atuação à frente da área social do Estado. Agora candidata ao Senado, ela coloca entre as prioridades de sua campanha a defesa dos municípios e das pessoas em situação de vulnerabilidade.
“Se Deus me der a oportunidade de ser senadora por Goiás, vocês vão conhecer ainda mais a força de uma mulher determinada para lutar pelos nossos filhos, pelos municípios e pelo nosso Estado. É nos municípios que as pessoas moram, que as necessidades acontecem e que as políticas públicas precisam chegar. Eles não podem continuar dependentes apenas do FPM. Precisam de respeito, autonomia e representação”, afirmou.
A fala resume um dos principais argumentos que Gracinha pretende levar para a campanha: transformar a experiência acumulada na interlocução com os municípios em uma atuação parlamentar voltada à busca de recursos e à defesa de políticas nas áreas social, de saúde, educação e infraestrutura.
Uma rede construída nos municípios
Durante sete anos e meio como primeira-dama e coordenadora das políticas sociais do Governo de Goiás, Gracinha manteve interlocução direta com primeiras-damas, prefeitas, secretárias, gestoras e trabalhadores da assistência social nos municípios.
A articulação se intensificou durante a pandemia, quando reuniões virtuais chegaram a ocorrer várias vezes por semana para organizar respostas às necessidades das famílias mais vulneráveis.
Desse processo surgiram mecanismos de capacitação e articulação como os Debates Sociais e a Gerência Social da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG). Segundo dados apresentados pela própria campanha, entre 2020 e 2025 foram realizadas quase mil atividades formativas, com aproximadamente 7 mil participantes e mais de 60 mil certificações.
A parceria entre Estado e municípios também esteve relacionada à ampliação de programas como Mães de Goiás, Aluguel Social, Crédito Social e Goiás + Inclusivo, entre outras iniciativas reunidas posteriormente sob a estrutura do Goiás Social.
O encontro desta terça-feira mostra que essa rede construída inicialmente em torno da execução das políticas públicas também adquiriu dimensão eleitoral. Primeiras-damas e gestoras que atuaram em parceria com Gracinha passaram agora a defender sua candidatura ao Senado e a continuidade do projeto político estadual representado por Daniel Vilela.

Nordeste Goiano e comunidades Kalunga
Foi justamente nas regiões mais distantes dos grandes centros que a atuação social de Gracinha ganhou algumas de suas ações mais simbólicas. No Nordeste Goiano, a aproximação com as comunidades quilombolas Kalunga levou programas e serviços públicos para localidades onde distância, estradas e dificuldades de comunicação historicamente tornam mais complexo o acesso às políticas públicas.
Em maio de 2024, Gracinha participou da articulação entre o Governo de Goiás e o Tribunal de Justiça do Estado para a execução do projeto Raízes Kalungas – Justiça e Cidadania. A iniciativa buscou reunir diferentes órgãos públicos para enfrentar problemas identificados nas comunidades de Cavalcante e região, entre eles dificuldades de acesso por estradas, comunicação, conflitos territoriais e demandas relacionadas à saúde e à educação.
Naquele período, Gracinha afirmou conhecer a realidade das comunidades e defendeu uma atuação conjunta do Estado e do Judiciário para ampliar o acesso da população quilombola aos serviços públicos.
Pouco depois, em julho de 2024, Cavalcante recebeu uma edição especial do Goiás Social voltada às comunidades Kalunga. A estrutura chegou a localidades como Vão do Moleque e Vão de Almas, levando atendimentos públicos diretamente para moradores que, em muitos casos, precisam percorrer longas distâncias até a área urbana.
Segundo dados divulgados pelo Governo de Goiás à época, foram disponibilizados mais de 5 mil benefícios, além de consultas médicas, exames, vacinação, emissão de documentos, cursos, serviços relacionados ao emprego e outras ações.
A agenda também teve uma dimensão de reconhecimento cultural. Durante a passagem pela região, foi anunciada a criação da Semana de Celebração e de Valorização da Cultura e da História das Comunidades Quilombolas, posteriormente instituída para integrar o calendário estadual e promover a preservação das tradições e da memória dessas populações.
Agricultura, renda e inclusão digital
A presença do Goiás Social nas comunidades quilombolas continuou em 2025. Em julho daquele ano, Gracinha voltou a Cavalcante para uma agenda concentrada no Engenho II, uma das principais comunidades Kalunga da região.
No local foi realizado o Agro é Social Quilombola, com entrega de 123 cartões do Crédito Social para moradores de Cavalcante e Teresina de Goiás e lançamento do Programa de Aquisição de Alimentos Quilombola. O PAA Quilombola foi anunciado com investimento de R$ 2 milhões, direcionado à produção e à agricultura familiar das comunidades.
Também foram anunciadas medidas de inclusão digital voltadas a produtores rurais e comunidades Kalunga, buscando reduzir uma dificuldade apontada inclusive durante as discussões do projeto Raízes Kalungas: a falta de comunicação e conectividade em regiões isoladas.
Na mesma agenda, Gracinha participou da inauguração do Restaurante do Bem em Cavalcante, ampliando para o Nordeste Goiano uma política de segurança alimentar que já funcionava em outras regiões do Estado. A unidade foi instalada com investimento informado de R$ 700 mil e capacidade anunciada para oferecer 400 refeições por dia.
Esse conjunto de ações ajuda a explicar por que o discurso de Gracinha nesta campanha busca associar a defesa do municipalismo à experiência adquirida no interior de Goiás. Ao longo dos anos como primeira-dama, a atuação social não ficou restrita à capital ou às maiores cidades, alcançando também territórios de difícil acesso e populações tradicionais do Nordeste Goiano.
Apoio de Daniel Vilela
Durante o encontro em Goiânia, Daniel Vilela afirmou que a trajetória da ex-primeira-dama e os resultados atribuídos ao Goiás Social justificam o apoio à sua candidatura ao Senado.
“Por tudo o que Gracinha fez, ela é merecedora do nosso trabalho e do nosso apoio. Precisamos conversar com as pessoas, mostrar a realidade dessa parceria e o quanto Goiás vai ganhar com ela no Senado Federal. Será uma mulher determinada, com força política e sensibilidade para ouvir as demandas dos municípios e continuar ajudando o nosso Estado”, afirmou Daniel.
O governador argumentou que a experiência construída junto às administrações municipais poderá permitir a Gracinha atuar na busca de recursos federais para diferentes áreas.
“Precisamos de uma mulher com essa força para trabalhar e produzir ainda mais resultados no Senado. Gracinha conhece os municípios, conhece suas necessidades e demonstrou, na prática, sua capacidade de cuidar das pessoas e transformar realidades”, completou.
Daniel, candidato à reeleição, também declarou durante o encontro que pretende manter e ampliar a rede de proteção social e a parceria com os municípios em um eventual novo mandato.
“Os cargos passam”
Ao falar diretamente às primeiras-damas e lideranças presentes, Gracinha voltou ao período em que esteve à frente das políticas sociais e afirmou que nenhuma candidatura deve ser considerada definida antes das urnas.
“Não existe eleição ganha. Se há alguém que pode falar por mim, pelas entregas e pelo trabalho que fiz, são vocês. Vocês me acompanharam, conhecem a minha maneira de trabalhar e ajudaram a construir o Goiás Social. Os cargos passam, mas o que realmente permanece são as vidas que conseguimos tocar e transformar”, ressaltou.
A primeira-dama de Aragarças, Raqueline Galvão, afirmou que a relação construída com Gracinha teve reflexos também na atuação das gestoras municipais.
“Não tem como falar de assistência social em Goiás sem falar de Gracinha Caiado. Com ela, eu aprendi a ser primeira-dama e a cuidar das pessoas com amor e dedicação. Em um município distante como Aragarças, na divisa com Mato Grosso, tivemos uma primeira-dama que nos apoiou, nos acolheu e fez toda a diferença em nossa gestão”, declarou.
A manifestação das lideranças nesta terça-feira transforma essa relação, antes marcada principalmente pela articulação administrativa e pelas políticas de assistência social, em um ativo político da campanha. Gracinha tenta agora levar para a disputa pelo Senado a capilaridade construída nos municípios, enquanto Daniel Vilela aposta na mesma rede para sustentar o discurso de continuidade de seu governo.
No Nordeste Goiano, onde algumas das ações mais específicas foram destinadas às comunidades quilombolas, essa trajetória deixa como referência a presença de programas estaduais em localidades historicamente distantes dos grandes centros de decisão. É também esse histórico que Gracinha apresenta agora como parte das credenciais para defender, no Senado, um modelo em que os municípios tenham maior participação, recursos e capacidade de atender diretamente quem vive neles.


