VACINA PNEUMO 20 PARA CRIANÇAS – SUS oferecerá imunizante que protege contra pneumonia e meningite.

As doenças são as que mais causam hospitalizações, sequelas e óbitos em crianças pequenas. Na rede privada, onde já era ofertada desde o ano passado, dose da vacina passa de R$ 500.

Roberto Naborfazan*

O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a aplicar uma nova vacina contra doenças respiratórias em crianças de até cinco anos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da vacina em dezembro de 2023.

A pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20 ou pneumo 20), antes só possível na rede privada, deve estar nos postos de saúde a partir da segunda quinzena de junho.

O imunizante protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, principal causadora de pneumonias e meningites. As doenças são as que mais causam hospitalizações, sequelas e óbitos em crianças pequenas.

Segundo o Ministério da Saúde, a pneumo 20 substituirá a 10-valente, ampliando a prevenção. Na rede privada, onde a vacina já era ofertada desde o ano passado, o custo chega a mais de R$ 500 por dose.

A distribuição das primeiras 514 mil doses já começou. A vacinação será iniciada à medida que os estados receberem os imunizantes e concluírem o envio aos municípios. A previsão do Ministério da Saúde é disponibilizar mais de 6,1 milhões de doses ainda este ano.

Diferencial da vacina pneumo20

O diferencial da nova vacina, segundo o Ministério da Saúde, é justamente a ampliação da proteção imunológica, relacionadas aos sorotipos que mais causam pneumonia invasiva, especialmente os tipos 3, 6A e 19A, sendo mais abrangente do que as formulações anteriores.

A vacina também atua contra a otite média, condição que pode levar à perda auditiva e infecção generalizada quer pode levar à morte.

Doença pneumocócica

A doença pneumocócica é uma infecção causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo, que pode ocasionar quadros leves, como inflamação no ouvido ou sinusite, ou graves, como pneumonia bacteriana, meningite e sepse.

Estima-se que o pneumococo seja responsável por até 50% de todos os casos de meningite bacteriana em crianças. A mortalidade nesses casos é de cerca de 30%.

Além das crianças pequenas, idosos e indivíduos com comorbidades ou imunossupressão também são mais vulneráveis.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica é a maior causa de mortalidade infantil por doença prevenível.

No Brasil, entre 2023 e 2025, foram registrados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil óbitos. Entre crianças menores de cinco anos, foram 616 casos e 188 mortes no mesmo período.

A vacina também atua contra a otite média, condição que pode levar à perda auditiva e infecção generalizada quer pode levar à morte. FOTO: Reprodução.

Grupos prioritários

O Ministério da Saúde informou que a Pneumo 20 será ofertada aos seguintes grupos prioritários:

– Crianças menores de cinco anos

– Povos indígenas maiores de cinco anos de idade (sem histórico vacinal com pneumo conjugada).

– Idosos com 60 anos ou mais acamados e/ou institucionalizados

– Pessoas com condições clínicas especiais, atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE)

Durante o período de transição para o novo imunizante, o esquema vacinal básico para a criança seguirá o seguinte modelo:

– Uma dose da pneumo 20 aos dois meses de idade.

– Uma dose da pneumo 10 aos quatro meses

– Uma dose de reforço da pneumo 20 aos 12 meses, respeitando o intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda dose e o reforço

As vacinas VPC13 e VPP23 serão utilizadas em estratégias diferenciadas até a finalização dos estoques.

Essa estratégia será mantida até o término dos estoques da pneumo 10. Após o esgotamento dessas doses, o esquema vacinal passará a utilizar exclusivamente a Pneumo 20.

Por meio da Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital, pais, mães e responsáveis podem acompanhar, em tempo real, o histórico de vacinação.

Histórico de resultados

Desde a introdução da pneumo 10 no Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 2010, o Brasil registrou reduções expressivas na incidência da doença pneumocócica invasiva causada por sorotipos vacinais: entre 55% e 60% em crianças menores de 2 anos e queda superior a 65% nos casos de meningite pneumocócica nessa mesma faixa etária. Entre adultos com 60 anos ou mais, a redução variou de 20% a 30%.

Nos últimos três anos, o Ministério da Saúde recuperou todas as coberturas vacinais infantis, revertendo a tendência de queda observada até 2022. A vacinação contra doenças pneumocócicas acompanhou esse avanço, com a cobertura do esquema básico passando de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025. Em 2026, a cobertura parcial acumulada até o momento já alcança 86,33%, mantendo a trajetória de proteção da população infantil.

A vacinação permanece a estratégia mais eficaz para reduzir a ocorrência das formas graves das doenças pneumocócicas invasivas e suas consequências mais severas, como hospitalização, sequelas e óbito.

**FONTE: Ministério da Saúde.

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