VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS – Campanha Faça Bonito mobiliza Goiás no combate ao abuso sexual infantil.

Dados da SES-GO revelam crescimento alarmante da violência sexual contra crianças e adolescentes em Goiás, cenário que motivou a ampliação das ações da campanha Faça Bonito em todo o estado.

Roberto Naborfazan*

Em alusão ao movimento Faça Bonito e Maio Amarelo – campanha nacional de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes — a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) realiza ações educativas e mobilizações sociais durante o mês de maio, reforçando a importância da prevenção, identificação e denúncia da violência sexual infantojuvenil.

Esta campanha é desenvolvida por meio da Coordenação de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva-GO) da SES-GO e é promovida em parceria com o Fórum Goiano de Enfrentamento à Violência Sexual e a Rede de Proteção e Atenção às Pessoas em Situação de Violência de Goiânia.

Combate à violência sexual

A proposta é mobilizar estudantes das redes estadual e municipal de ensino, além de crianças, adolescentes e famílias da região, por meio de apresentações culturais, atividades educativas e distribuição de materiais informativos da campanha “Faça Bonito – 18 de Maio”.

No dia 27 deste mês,será realizado o Seminário Campanha Faça Bonito – 2026, no Auditório do Ministério Público, das 8 às 17 horas.

O evento reunirá profissionais das áreas da saúde, educação, assistência social, sistema de justiça, segurança pública, organizações não governamentais e demais instituições que compõem a rede intersetorial de proteção às pessoas em situação de violência.

No dia 30/05, das 8 às 12 horas, no Parque Flamboyant, será realizada uma ação conjunta das coordenações que compõem a Gerência de Vigilância Epidemiológica de Doenças e Agravos Não Transmissívies e Promoção da saúde quando também serão realizadas atividades alusivas à campanha Faça Bonito.

Durante o evento, serão ofertados gratuitamente:

– Serviços de aferição de pressão arterial,

– Teste de glicemia,

– Auriculoterapia e dispensação do complexo homeopático da dengue, além de atividades educativas e orientação sobre a prevenção de violências sexual contra crianças e adolescente.

Segundo a coordenadora de Vigilância de Violências e Acidentes da SES-GO, Maria de Fátima Rodrigues, a iniciativa busca aproximar as famílias do tema de forma acolhedora e educativa.

“A proposta é informar crianças, adolescentes e responsáveis sobre os riscos da violência sexual, fortalecendo a prevenção e orientando sobre medidas de proteção e denúncia”, destaca.

Mudanças repentinas de comportamento podem ser importantes sinais de alerta para situações de violência sexual.

Cenário da violência sexual em Goiás

Os dados epidemiológicos do Sinan/NET Goiás referentes ao período de 2015 a 2025 revelam um cenário preocupante da violência sexual contra crianças e adolescentes no estado.

A violência sexual representa 25,6% de todas as violências notificadas contra esse público, totalizando 16.591 registros no período analisado. As meninas são as principais vítimas, correspondendo a 85,4% dos casos notificados.

Os dados também apontam crescimento expressivo das notificações ao longo da última década, com aumento de 251,6% de 2015 a 2025.

Entre as vítimas do sexo masculino, o crescimento proporcional foi ainda maior, alcançando 294,4%. Os adolescentes representam 55,5% das notificações; entretanto, chama atenção o crescimento de 298,3% das ocorrências envolvendo crianças.

Predominância de vítimas negras

Outro dado relevante é a predominância de vítimas negras, que representam 72,8% dos registros, evidenciando o impacto das desigualdades sociais e raciais na vulnerabilidade à violência sexual.

O estupro permanece como a principal tipificação registrada, correspondendo a 69,4% dos casos notificados.

Crianças menores apresentam maior vulnerabilidade devido à imaturidade física e psicológica, o que dificulta tanto a compreensão da violência quanto a capacidade de defesa e denúncia.

Crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade socioeconômica podem estar mais suscetíveis à exploração sexual, especialmente em contextos de fragilidade social e ausência de proteção.

Sinais de alerta e prevenção

Mudanças repentinas de comportamento podem ser importantes sinais de alerta para situações de violência sexual. Entre os principais indicativos estão:

– Medo excessivo ou dificuldade para dormir sozinho;

– Vergonha de trocar de roupa na frente de responsáveis;

– Queda repentina no rendimento escolar;

– Alterações no sono e na alimentação;

 – Agressividade;

– Comportamento sexual incompatível com a faixa etária;

– Brincadeiras ou falas com conteúdo sexual inadequado.

A SES-GO orienta que pais, responsáveis e toda a sociedade estejam atentos a esses sinais e adotem medidas preventivas, como:

– Supervisionar o uso da internet;

– Orientar crianças e adolescentes a não aceitarem convites, presentes ou favores de desconhecidos;

– Evitar que crianças permaneçam desacompanhadas em locais de grande circulação de pessoas;

– Fortalecer o diálogo familiar e a rede de apoio.

A proteção de crianças e adolescentes é uma responsabilidade coletiva e depende do comprometimento de toda a sociedade.

** FONTE: Secretaria da Saúde – Governo de Goiás

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