PROTEÇÃO IMUNOLÓGICA – Injeção transforma células imunes em tumores em combatentes anticâncer.

Técnica reprograma macrófagos diretamente no organismo, eliminando necessidade de extração e modificação laboratorial. Em testes, método reduziu significativamente o crescimento tumoral.

Por Diogo Rodriguez*

Pesquisadores do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST) desenvolveram uma abordagem que pode transformar o tratamento de tumores sólidos. A técnica consiste em reprogramar células do sistema imunológico que já estão presentes dentro dos tumores, convertendo-as em máquinas de combate ao câncer: tudo isso sem necessidade de retirar as células do corpo do paciente.

O estudo, divulgado pela revista científica ACS Nano, conforme informações do Science Daily, representa um avanço importante na imunoterapia. Diferentemente das terapias convencionais com células CAR (do inglês “Chimeric Antigen Receptor”), que exigem extração, modificação laboratorial e reinserção das células, o novo método atua diretamente no ambiente tumoral.

Como funciona a nova técnica

A estratégia desenvolvida pelos cientistas sul-coreanos utiliza nanopartículas lipídicas carregadas com duas substâncias: RNA mensageiro (mRNA) contendo instruções para reconhecimento de células cancerígenas e um composto que ativa o sistema imunológico.

Quando injetadas diretamente no tumor, essas nanopartículas são rapidamente absorvidas por macrófagos, células de defesa naturalmente presentes no ambiente tumoral. Uma vez internalizadas, as nanopartículas fazem com que os macrófagos comecem a produzir proteínas que identificam e atacam células cancerígenas, transformando-os no que os pesquisadores chamam de “CAR-macrófagos aprimorados”.

“Este estudo apresenta um novo conceito de terapia com células imunológicas que gera células imunes anticâncer diretamente dentro do corpo do paciente”, afirmou o professor Ji-Ho Park, do Departamento de Engenharia Bio e Cerebral do KAIST.

A técnica consiste em reprogramar células do sistema imunológico que já estão presentes dentro dos tumores, convertendo-as em máquinas de combate ao câncer.

O desafio dos tumores sólidos

Tumores sólidos, como os de estômago, pulmão e fígado, formam estruturas densas que bloqueiam a entrada e o funcionamento eficaz das células imunológicas. Essa barreira física e biológica é uma das razões pelas quais muitas terapias imunológicas existentes têm dificuldade em tratar esse tipo de câncer.

Os macrófagos associados a tumores representam uma promessa terapêutica porque, além de conseguirem engolfar e destruir diretamente células cancerígenas, também estimulam células imunológicas próximas, amplificando a resposta anticâncer do organismo. No entanto, o ambiente tumoral suprime essas células, impedindo-as de cumprir sua função de defesa.

Vantagens sobre métodos tradicionais

As terapias atuais com CAR-macrófagos dependem de um processo complexo: extração de células imunológicas do sangue do paciente, cultivo em laboratório, modificação genética e posterior reinfusão. Esse procedimento é lento, caro e difícil de escalar, limitando sua aplicação prática para muitos pacientes.

A técnica desenvolvida pelo KAIST elimina essas etapas. Ao reprogramar as células diretamente no organismo, o método supera as principais limitações das terapias convencionais: a eficiência de entrega e o ambiente imunossupressor do tumor.

Em testes com animais portadores de melanoma, a forma mais perigosa de câncer de pele, o tratamento mostrou resultados significativos. O crescimento tumoral foi consideravelmente reduzido, e os pesquisadores encontraram evidências de que a resposta imunológica poderia se estender além do tumor tratado, sugerindo potencial para uma proteção imunológica mais ampla no organismo.

Os macrófagos modificados demonstraram capacidade muito maior de eliminar células cancerígenas e de ativar a sinalização imunológica ao redor, gerando uma resposta anticâncer potente e coordenada.

**FONTE: Época negócios.

FOTO DE CAPA: Kateryna Kon/Science Photo Library via Getty Images

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