FERIDAS COM LARVAS E OSSOS QUEBRADOS – Pai torturou a filha até a morte por causa de mensagens no celular. Madrasta e avó também foram presas

Relatos da perícia indicam que, em sua fase terminal, a adolescente apresentava feridas expostas com presença de larvas, e implorava por socorro, que lhe foi negado pelos familiares.

Roberto Naborfazan*

A Delegada Leisaloma Carvalho, diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, apresentou na manhã desta terça-feira, 3/03, atualizações brutais sobre a morte da adolescente Marta Isabelle dos Santos Silva, de 16 anos. A jovem foi encontrada morta no último dia 24 de fevereiro, em uma residência no setor chacareiro do bairro Jardim Santana, zona leste de Porto Velho.

Delegada Leisaloma Carvalho, diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, afirmou que a adolescente era submetida a um sistema de tortura sistemática.

As investigações apontam que a vítima foi submetida a um regime de tortura e cárcere privado que durou aproximadamente dois meses, sob a guarda do próprio pai, da madrasta e com a conivência da avó paterna.

Além das agressões físicas e da privação de liberdade, a Polícia Civil também investiga a possibilidade de violência sexual contra a adolescente. Exames periciais foram solicitados e devem confirmar se houve abuso.

Um dos detalhes mais cruéis revelados pela perícia diz respeito à alimentação. A adolescente era obrigada a ingerir a mesma comida destinada aos cachorros da residência, além de restos de alimentos estragados. Conforme apontado pela investigação, a vítima foi enfraquecendo progressivamente até morrer, dentro do próprio quarto.

Segundo o inquérito policial, o pai da adolescente, Callebe José da Silva, mantinha a filha amarrada à cama durante as noites e trancada em isolamento durante o dia. A motivação para o crime, relatada por uma irmã da vítima, teria sido o descontentamento do pai com mensagens encontradas no celular de Marta. Durante o período de reclusão, a jovem sofreu agressões severas e negligência extrema. Relatos da perícia indicam que, em sua fase terminal, a adolescente apresentava feridas expostas com presença de larvas e implorava por socorro, que lhe foi negado pelos familiares.

“A adolescente apresentava ferimentos graves por todo o corpo, incluindo ossos expostos — o rádio do braço esquerdo e um osso na região da clavícula —, além de lesão na perna com presença de larvas (miíase), feridas nas costas compatíveis com permanência prolongada deitada, dente frontal quebrado e sinais evidentes de desnutrição severa”, informou a PMRO.

A adolescente Marta Isabelle dos Santos Silva (acima), a madrasta e o pai (abaixo). Mensagens no celular da jovem provocaram as torturas e morte.

No momento da descoberta do corpo, o pai, a madrasta Benedita Maria da Silva, e a avó paterna, Ivanice Farias de Souza, foram presos em flagrante. Inicialmente autuados por omissão de socorro e maus-tratos, o indiciamento deve ser agravado para tortura seguida de morte e cárcere privado qualificado conforme o avanço das provas técnicas.

A Polícia Civil destacou a crueldade do cenário encontrado na residência, reforçando que a estrutura familiar atuou ativamente para impedir que a adolescente recebesse qualquer tipo de ajuda externa ou atendimento médico.

Áudios revelaram que a madrasta usava grupos de igreja para dizer que a enteada estava gravemente doente.

Os três envolvidos permanecem custodiados no sistema prisional de Porto Velho, onde aguardam o julgamento em regime fechado.

Na cadeia, o genitor da vítima acusado foi espancado por outros detentos.  A agressão foi revelada durante audiência de custódia, quando ele apresentou lesões no rosto e relatou o ataque.

Marta Isabelle dos Santos Silva foi tortutrada, era alimentada com comida estragada e há suspeita de abuso sexual.

A Justiça já converteu a prisão dos três envolvidos para preventiva

O caso gerou forte comoção na capital rondoniense, levantando debates sobre a eficácia da rede de proteção a menores em áreas periféricas e setores chacareiros. A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) continua colhendo depoimentos de vizinhos e outros familiares para verificar se houve falhas nas denúncias anteriores ou se outros crimes eram praticados no local.

** Com reportagem do Jornal de Rondônia.

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