PSA E RESSONÂNCIA – Exames ajudam a detectar o câncer de próstata.
Estudos internacionais mostram como a combinação dos exames pode ajudar a identificar tumores mais agressivos e evitar biópsias desnecessárias.
Por Gabriela Martins*
O exame de PSA é uma das principais ferramentas utilizadas na investigação do câncer de próstata. No entanto, níveis elevados da proteína no sangue não indicam, necessariamente, a presença de um tumor. Nesses casos, a ressonância magnética pode complementar a avaliação, identificando possíveis lesões e ajudando o médico a decidir se há necessidade de realizar uma biópsia.
Uma publicação de outubro de 2026 da revista científica European Radiology, elaborada por especialistas da Sociedade Europeia de Radiologia Urogenital (ESUR), reuniu evidências de que a ressonância magnética pode melhorar a identificação de tumores de próstata clinicamente significativos, ou seja, aqueles com maior potencial de crescimento e de causar danos à saúde. O exame também pode contribuir para reduzir biópsias desnecessárias e evitar o diagnóstico excessivo de tumores de baixo risco.
“A ressonância ajuda a avaliar melhor o risco antes de indicar uma biópsia. Quando as imagens não mostram alterações suspeitas e o paciente apresenta baixo risco, em alguns casos é possível optar pelo acompanhamento, evitando um procedimento que talvez não fosse necessário naquele momento”, explica a médica radiologista Dra. Layra Guedes, do Laboratório Exame, que possui título de expert em ressonância magnética de próstata pela ESUR.
Outro estudo, publicado em março de 2026 na revista European Urology, comparou duas estratégias de rastreamento. A pesquisa italiana PROSA, que avaliou 816 homens, identificou tumores clinicamente significativos em 4,6% dos participantes submetidos à ressonância magnética independentemente dos níveis de PSA. Entre aqueles que realizaram o exame de imagem somente após atingir determinados valores do marcador, o índice foi de 1,8%.
Os resultados indicam que uma investigação baseada exclusivamente nos limites do PSA pode deixar de identificar alguns casos. Os pesquisadores, porém, ressaltam a necessidade de estudos mais amplos para aprofundar essa avaliação.
Do PSA à biópsia: como funciona a investigação?
“O PSA é uma proteína produzida pela próstata e medida por exame de sangue. Seus níveis podem aumentar em casos de câncer, mas também por condições benignas, como o crescimento da próstata ou inflamações. Por isso, o médico considera fatores como idade, histórico familiar e resultados anteriores antes de decidir se são necessários outros exames”, afirma a Dra. Luísa Lacerda, patologista clínica do Laboratório Exame, marca da Dasa no Distrito Federal.
Quando há indicação, a ressonância magnética permite observar a próstata com mais detalhes e identificar regiões que precisam de investigação. As imagens também podem orientar a coleta de amostras durante uma eventual biópsia.
“A ressonância permite avaliar características das lesões e estimar o grau de suspeita de câncer. Com essas informações, conseguimos direcionar melhor a investigação, mas o exame não substitui a avaliação clínica.” Aponta Layra Guedes, médica radiologista

Se a suspeita persistir, mesmo após os exames de imagem, o médico pode recomendar uma biópsia. O procedimento permite confirmar ou descartar a presença do câncer por meio da análise de amostras do tecido prostático. Isso porque, embora seja uma ferramenta importante, a ressonância magnética não consegue identificar todos os tumores.
“Um paciente com PSA persistentemente elevado e histórico familiar importante, por exemplo, pode precisar de uma investigação mais aprofundada, mesmo que a ressonância não mostre alterações suspeitas. O cuidado é não descartar a possibilidade de câncer com base em um único exame.” cita Luísa Lacerda, patologista clínica
A avaliação também é importante para homens que não apresentam sintomas. Como o câncer de próstata pode se desenvolver silenciosamente, a decisão sobre a realização de exames deve levar em conta os fatores de risco, os possíveis benefícios e as consequências do rastreamento. Além disso, nem todo tumor identificado exige tratamento imediato, uma possibilidade que também deve ser discutida com o paciente.
Diagnóstico confirmado: quais são os próximos passos?
O câncer de próstata pode apresentar diferentes ritmos de crescimento. Por isso, nem todos os casos exigem tratamento imediato. Dependendo das características do tumor, o médico pode recomendar a vigilância ativa, estratégia que permite acompanhar a evolução da doença antes de decidir por uma intervenção.
Segundo Natalia Sabaneeff, coordenadora de Urorradiologia da clínica CDPI e do Alta Diagnósticos, no Rio de Janeiro, muitos tumores apresentam evolução lenta. Em determinadas situações, portanto, o acompanhamento pode ser indicado em vez da realização imediata de cirurgia ou radioterapia.
A médica explica que a vigilância ativa segue um protocolo rigoroso, indicado principalmente para pacientes com tumores classificados como de baixo risco, geralmente pequenos e de crescimento lento.
“O paciente é acompanhado de perto com exames periódicos de PSA, toque retal e ressonância magnética, com o objetivo de diminuir o risco de complicações e reduzir a ansiedade ao diferenciar tumores indolentes (que podem ser apenas observados) daqueles mais agressivos, que precisam de intervenção imediata. Graças aos novos métodos de imagem, a decisão se torna muito mais segura. Mas é importante questionar o urologista sobre o grau de agressividade do tumor e qual seria a melhor estratégia.” Destaca Natalia Sabaneeff, coordenadora de Urorradiologia
Durante o Novembro Azul, o Laboratório Exame reforça a campanha “Para Tudo: hora de olhar para si”, que incentiva os homens a conhecer seus fatores de risco e buscar orientação médica sobre os cuidados mais adequados para cada caso.
**FONTE: iG Deles


