HOSPITAL REGIONAL DE FORMOSA – Justiça determina transferência, mas paciente de Alto Paraíso de Goiás permanece na UTI da unidade hospitalar.
Internado desde 25 de setembro, Zeilton dos Santos precisa de avaliação emergencial por equipe de hemodinâmica; hospital não esclareceu os motivos da demora. Morador de Alto Paraíso de Goiás teve fístula inutilizada por trombose e necessita de novo acesso vascular duradouro, segundo relatório médico.
Roberto Naborfazan
Zeilton Evangelista dos Santos, 46 anos de idade, de Alto Paraíso de Goiás, está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Formosa desde o dia 25 de setembro de 2026 e, segundo os familiares, permanece aguardando transferência para uma unidade com atendimento especializado, apesar de uma decisão judicial de 1º de outubro que determinou ao Estado providenciar vaga e transporte adequado em até 12 horas. Nesta quinta-feira (8), um novo relatório médico informou que o paciente estava realizando hemodiálise após a colocação de um cateter na virilha, mas manteve expressamente a necessidade de avaliação emergencial por uma equipe de hemodinâmica para possibilitar a confecção de um novo acesso vascular duradouro.
Hipertenso e com doença renal crônica, Zeilton realiza hemodiálise há aproximadamente cinco anos, conforme o relatório médico citado na decisão judicial. O tratamento foi comprometido por dificuldades de acesso vascular e por uma trombose na fístula arteriovenosa, confirmada pela equipe de cirurgia vascular do Hospital Regional de Formosa.
A fístula é o acesso utilizado para a realização do tratamento. No caso de Zeilton, conforme os documentos apresentados, esse acesso foi obstruído por um coágulo e ficou inutilizado. Diante da falha, o paciente passou a depender de outra alternativa que permitisse a continuidade da hemodiálise.
Embora o relatório mais recente registre a realização do tratamento por meio de um cateter, a equipe médica mantém a indicação de atendimento especializado emergencial. Até o fechamento desta reportagem, a família continuava à espera da transferência, e o hospital não havia respondido aos questionamentos encaminhados pelo Jornal O VETOR sobre as razões da demora e as providências para cumprir a determinação judicial.
Internação em 25 de setembro e dificuldades para realizar o tratamento
Zeilton foi internado na UTI do Hospital Regional de Formosa em 25 de setembro de 2026, em um contexto de falha no acesso necessário à hemodiálise e de provável trombose da fístula arteriovenosa, posteriormente confirmada pela cirurgia vascular.
Segundo as informações encaminhadas à reportagem, o problema impediu a continuidade regular do tratamento e motivou a busca por uma unidade com estrutura especializada para solucionar a dificuldade de acesso vascular.
A preocupação dos familiares não se limita à disponibilidade de uma máquina de hemodiálise. Para que o tratamento seja realizado, é necessário um acesso vascular que permita retirar o sangue, encaminhá-lo à máquina e devolvê-lo ao organismo após a filtragem. No caso relatado, a fístula utilizada pelo paciente deixou de funcionar, e o histórico de falhas de acesso passou a exigir novos encaminhamentos.
Em 1º de outubro, Justiça determinou transferência em até 12 horas
Diante da situação, uma decisão do Tribunal de Justiça de Goiás, de 1º de outubro, determinou que o Estado providenciasse, em até 12 horas, vaga e transferência de Zeilton para atendimento especializado em uma unidade hospitalar com equipe de hemodinâmica.
A liminar foi concedida pelo juiz Ricardo Prata durante o plantão judicial. A determinação estabeleceu que a transferência deveria ocorrer mediante transporte adequado à condição clínica do paciente, para uma unidade com suporte de hemodinâmica, cirurgia vascular e nefrologia, capaz de viabilizar a retomada do tratamento.
A decisão também previu uma alternativa para a ausência de vaga: caso não fosse possível conseguir atendimento na rede pública ou conveniada dentro do prazo estabelecido, o Estado deveria custear o atendimento na rede privada.
Portanto, a ordem judicial não se restringiu à inclusão do paciente na espera por uma vaga pública. Ela também determinou o custeio de atendimento particular caso a rede pública ou conveniada não pudesse recebê-lo no prazo.
Enquanto a transferência não fosse efetivada, a decisão exigiu a manutenção da assistência necessária à preservação do estado clínico de Zeilton, incluindo terapia renal de urgência, se tecnicamente possível e indicada pela equipe médica.
Para eventual descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 20 mil.
Apesar da determinação, segundo os familiares, o paciente permanecia na UTI do Hospital Regional de Formosa até esta quinta-feira (8), sem a transferência solicitada. A reportagem não recebeu esclarecimentos sobre os obstáculos à disponibilização da vaga nem sobre o acionamento da alternativa de atendimento na rede privada.
Na terça-feira, esposa relatou 20 dias sem hemodiálise
Na terça-feira (6), Deuzirene Nascimento Santos, esposa de Zeilton, procurou a reportagem e relatou que o marido completava 20 dias sem conseguir realizar hemodiálise.
Em tom de desabafo, ela descreveu a preocupação da família com a interrupção do tratamento e a espera por uma solução:
“Hoje completa 20 dias que meu marido está sem conseguir fazer hemodiálise. Ele está internado na UTI do Hospital Regional de Formosa e permanece aguardando uma vaga pela regulação para que seja realizado o procedimento necessário e ele possa voltar a fazer o tratamento. Meu marido depende da hemodiálise para sobreviver, mas até agora nenhuma solução foi apresentada. Nossa família está vivendo dias de muita angústia e preocupação diante dessa demora. Já procuramos todos os meios possíveis, inclusive registramos a situação no Ministério Público, mas até o momento nada foi resolvido.”
O relato sobre os 20 dias sem hemodiálise é atribuído à esposa e foi feito antes da emissão do relatório médico de quinta-feira, que informa a realização do tratamento naquele momento.
Para esclarecer esse intervalo, o Jornal O VETOR perguntou ao hospital quando ocorreu a última sessão completa, se foram realizadas sessões parciais ou outras modalidades de terapia renal e quais limitações impediram a continuidade integral do tratamento. Até o fechamento, essas perguntas permaneciam sem resposta.
Na manhã de quinta-feira, O VETOR cobrou esclarecimentos do hospital
Na manhã desta quinta-feira (8), a reportagem do Jornal O VETOR procurou a direção do Hospital Regional de Formosa por meio de sua assessoria de comunicação, pelo endereço [email protected].
O pedido solicitou posicionamento oficial, com urgência, sobre o atendimento a Zeilton e as providências para a transferência determinada judicialmente. Foram encaminhados 20 questionamentos, organizados em quatro áreas: situação clínica e tratamento, acesso vascular e estrutura hospitalar, transferência e cumprimento da liminar, além da comunicação com os familiares.
Sobre o atendimento, o jornal perguntou se o hospital confirmava o período relatado sem uma sessão integral de hemodiálise, quando havia ocorrido a última sessão completa e se, durante a espera, foram realizadas sessões parciais ou alguma outra modalidade de terapia renal.
Também solicitou informações sobre o estado clínico do paciente, eventual agravamento durante esse período e as medidas adotadas para preservar sua condição enquanto o tratamento integral não fosse retomado. A reportagem questionou, ainda, se a terapia renal de urgência mencionada na decisão havia sido avaliada e realizada ou se existiam razões técnicas que impedissem ou contraindicassem sua execução.

Em relação ao acesso vascular, foram solicitados esclarecimentos sobre as providências adotadas para solucionar a trombose e a falha de acesso, os profissionais e equipamentos disponíveis no hospital e os recursos que precisavam ser buscados em outra unidade. O jornal perguntou qual procedimento estava indicado, quando essa necessidade havia sido identificada e quais encaminhamentos tinham sido feitos.
Sobre o cumprimento da liminar, a reportagem pediu a data em que o hospital tomou conhecimento formal da decisão e as providências adotadas a partir dessa comunicação.
Também questionou quando a solicitação de transferência foi inserida na regulação, qual era sua classificação de prioridade, quais atualizações haviam ocorrido e quais unidades com suporte de hemodinâmica, cirurgia vascular e nefrologia tinham sido consultadas. Foram solicitadas informações sobre eventuais recusas, indisponibilidade de vagas ou outros impedimentos.
Uma das questões centrais foi se o atendimento na rede privada, com custeio pelo Estado, havia sido acionado diante da ausência de vaga pública ou conveniada no prazo judicial. A reportagem pediu que fossem informadas as providências tomadas e os resultados obtidos até aquele momento.
O jornal também perguntou sobre a disponibilidade de transporte adequado, a existência de uma unidade de destino ou previsão concreta de transferência e se eventuais dificuldades haviam sido comunicadas à Secretaria de Estado da Saúde e ao juízo responsável.
Por fim, solicitou esclarecimentos sobre a frequência das informações repassadas à família, o setor responsável por acompanhar o caso junto à regulação e a resposta do hospital à preocupação dos familiares com a espera e a continuidade do tratamento.
Foi solicitado retorno até as 15 horas de quinta-feira. Caso não fosse possível responder integralmente nesse prazo, o jornal pediu uma manifestação inicial sobre o atendimento atual, a situação da transferência e as providências mais recentes.
À tarde, relatório informou hemodiálise por cateter na virilha
Por volta das 15 horas desta quinta-feira (8), os familiares receberam um relatório médico atualizado sobre o estado de saúde de Zeilton.
O documento descreve o paciente em regular estado geral, mas com “elevado potencial de gravidade”. Informa que ele estava lúcido e orientado, hemodinamicamente estável, com tendência à hipertensão controlada por medicamentos orais, e respirava espontaneamente, sem necessidade de oxigênio complementar ou esforço respiratório.
O relatório também registra baixa aceitação da alimentação por falta de apetite, diurese reduzida e tentativa de compensação metabólica com medicação. Informa, ainda, que o paciente estava sem febre e sem contexto infeccioso identificado naquele período.
A principal atualização foi a colocação de um cateter duplo lúmen na região da virilha, guiada por ultrassonografia, para possibilitar a hemodiálise diante da falha do acesso anteriormente utilizado.
O cateter foi colocado porque a fístula arteriovenosa estava trombosada e inutilizada. Em termos acessíveis, o dispositivo possui duas vias: uma permite encaminhar o sangue à máquina de hemodiálise, e a outra permite seu retorno ao organismo após a filtragem.
Segundo o relatório, Zeilton estava em hemodiálise no momento da avaliação e permanecia sob acompanhamento conjunto da equipe de nefrologia. O documento, porém, não informa a duração daquela sessão nem esclarece a cronologia dos tratamentos anteriores.
Novo acesso não elimina indicação de transferência emergencial
Mesmo após a colocação do cateter e o registro de realização da hemodiálise, a equipe médica manteve a indicação de avaliação por uma equipe de hemodinâmica.
O relatório explica que a cirurgia vascular confirmou a presença de trombose da fístula arteriovenosa, com inutilização do acesso, e destaca o histórico prévio de falhas.
Ao final, o documento afirma expressamente:
“O paciente necessita de vaga e avaliação por equipe de hemodinâmica em caráter emergencial, regulado via Central Reguladora de Leitos do Estado de Goiás para possibilitar a confecção de novo acesso vascular duradouro, devido histórico patológico prévio. À disposição para maiores esclarecimentos.”
Assim, o cateter possibilitou a realização do tratamento descrito no relatório, mas a equipe manteve a necessidade de um novo acesso vascular duradouro. A própria avaliação médica de quinta-feira continua fundamentando a urgência do atendimento especializado.
O documento está assinado por uma médica, mas não especifica sua especialidade.
Razões da demora continuam sem resposta
Até o fechamento desta reportagem, o Jornal O VETOR não havia recebido posicionamento da assessoria de comunicação do Hospital Estadual de Formosa.
Sem a resposta, não foi possível esclarecer por que a transferência ainda não havia ocorrido, quais obstáculos permaneciam na regulação, se havia uma unidade de destino ou se a alternativa de atendimento particular com custeio pelo Estado tinha sido acionada.
Também não foram informadas as datas das principais providências adotadas para cumprir a ordem judicial, a disponibilidade de transporte ou eventuais justificativas encaminhadas aos órgãos responsáveis.
A família permanece cobrando uma solução para que Zeilton tenha acesso ao atendimento especializado indicado. Embora a hemodiálise tenha sido registrada no relatório de 8 de outubro, o mesmo documento mantém a necessidade de avaliação emergencial para viabilizar um novo acesso vascular duradouro — atendimento que motivou a determinação judicial de transferência.


