GARIMPO ILEGAL – Operação em Cavalcante interrompe exploração de ouro sem licença no Rio Paranã.
Operação nas proximidades da Comunidade Riachão, no Território Quilombola Kalunga, inutilizou balsa e embarcação de apoio; segundo a polícia, suspeitos atiraram contra as equipes e fugiram.
Roberto Naborfazan
Uma operação conjunta das polícias Civil e Militar de Goiás desarticulou uma estrutura clandestina de extração de ouro no Rio Paranã, nas proximidades da Comunidade Riachão, no Território Quilombola Kalunga, em Cavalcante, no nordeste goiano. A ação reuniu trabalhos de inteligência, investigação e diligências em campo para localizar e interromper a exploração mineral irregular.
Desencadeada após solicitação de apoio do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), a operação exigiu atuação integrada das forças de segurança em uma região extensa e de difícil acesso. O trabalho das equipes permitiu identificar a estrutura empregada na atividade clandestina e alcançar o ponto de exploração.
Durante a ação, foram inutilizadas uma balsa de extração mineral e uma embarcação de apoio. Os policiais também desarticularam um acampamento utilizado pelos envolvidos e inutilizaram a estrutura empregada no garimpo ilegal.

Suspeitos atiraram contra as equipes
De acordo com o relato policial, durante a aproximação das equipes, quatro suspeitos efetuaram disparos de arma de fogo contra os agentes, que reagiram para repelir a agressão.
Os suspeitos fugiram. As investigações prosseguem para identificar os envolvidos e apurar suas responsabilidades tanto pela exploração mineral irregular quanto pelos disparos relatados durante a operação.
Exploração não tinha autorização
Segundo os levantamentos policiais, não foram identificados título minerário válido ou licença ambiental que autorizassem a exploração no local.
Ainda conforme as informações da operação, o requerimento de Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) relacionado à área havia sido indeferido pela Agência Nacional de Mineração (ANM) em setembro de 2022. A existência desse requerimento, portanto, não representava autorização para a atividade.
Integração das forças de segurança
O delegado José Antônio Machado Sena, titular da 11ª Delegacia Regional de Polícia de Formosa, e o tenente-coronel Sena, comandante do Batalhão de Operações Ambientais (BPMOA), destacaram a importância do trabalho investigativo, da inteligência e da integração entre as forças de segurança no enfrentamento ao garimpo ilegal e aos crimes ambientais.
A atuação conjunta das polícias Civil e Militar possibilitou reunir informações, localizar a estrutura clandestina e executar a intervenção em campo. A continuidade das investigações deverá contribuir para esclarecer a participação dos envolvidos e as circunstâncias da exploração irregular.
O combate ao garimpo ilegal é fundamental para proteger os rios e reduzir os riscos de degradação ambiental associados à exploração mineral sem autorização e fiscalização. Em um território quilombola, essa proteção também envolve o patrimônio cultural e as condições de vida das comunidades tradicionais, cuja relação com a água e com o território integra sua subsistência e seus modos de vida.
A operação no Rio Paranã reforça a importância da atuação coordenada das instituições para interromper atividades clandestinas e apurar a responsabilidade de seus envolvidos.


