OSOCA – Arte negra ocupa espaço histórico e fortalece identidade quilombola em Cavalcante.
O espaço histórico da Osoca, em Cavalcante (GO), recebe neste feriadão a 4ª Mostra Afro Cena e a 3ª Mostra de Teatro Afro Cena, reunindo artistas negros e quilombolas em uma programação voltada à valorização da cultura afro-brasileira.
Roberto Naborfazan*
O espaço histórico conhecido hoje como Osoca, na cidade de Cavalcante, região da Chapada dos Veadeiros, no nordeste goiano, já abrigou a cadeia pública do lugar e guarda memórias das violências contra pessoas escravizadas. Sobraram as ruínas desse espaço que foi ressignificado pelos artistas do lugar.
Neste feriadão, de quinta-feira, 4, a domingo, 7, o local será palco da 4ª Mostra Afro Cena e da 3ª Mostra de Teatro Afro Cena.
“É um evento que representa muito para a comunidade de Cavalcante porque amplia o acesso à arte e à cultura em uma cidade que não tem um teatro ou equipamento cultural voltado para as artes cênicas”, disse Fátima Tertuliano, uma das coordenadoras do evento.
Ela explica que, mais do que assistir aos espetáculos, a comunidade participa, de fato, da construção do evento, seja na produção, na organização ou nas atividades formativas.
“Eu acredito que isso fortalece a identidade local, gera oportunidades e aproxima as pessoas da arte”, considera.
A coordenadora lembra que a Osoca é um prédio histórico que faz parte da memória coletiva da cidade e que já teve diferentes funções ao longo do tempo.
“Hoje é ressignificado pela cultura, pela arte e pelo encontro de pessoas. Realizar a mostra nesse local é também uma forma de valorizar a história de Cavalcante”.

Transformações
O evento em território Kalunga, considerado o maior território quilombola do Brasil, reúne espetáculos, apresentações musicais, oficinas, rodas de conversa e atividades formativas.
“Onde hoje se realiza a mostra, no passado funcionou uma guilhotina e, depois, uma cadeia pública. Anos mais tarde, foi erguida a construção da Osoca, que virou palco de ações sociais e de muitos eventos”, afirma a também coordenadora do evento, Edymara Diniz.
A Osoca é sigla para “Obras Sociais da Paróquia da Senhora Sant’Ana de Cavalcante”.
Ela explica que a escolha do lugar não tem a intenção de apagar o passado, mas encará-lo de frente.
“Ao trazer o teatro negro para esse espaço, afirmamos que um local que já foi cenário de dores pode se ressignificar por meio da arte”.
Na quinta-feira (4), o evento reúne artesãos, cozinheiras, artistas, estilistas e empreendedores culturais negros e quilombolas.
Estarão no palco:
– Pequena Orquestra de Cavalcante;
– Curraleira Engenho 2;
– Dança Sussa Kalunga;
– Cantor quilombola Allexy Nerys.
De sexta (5) a domingo (7), a Mostra de Teatro Afro Cena tem como destaques:
– Espetáculo Danúbio (DF);
– Sarará Crioulo, dos artistas de Cavalcante e do Quilombo Kalunga;
– Recital Vozes Negras, de Salvador (BA);
– Performance Ancestrais a Benção, de um coletivo de mulheres negras e indígenas de
Goiás.
** Com reportagem de Luiz Claudio Ferreira (Repórter da Agência Brasil)


