CAPOTAMENTO NA GO-225 – Sozinho, sem equipamento e diante do risco: sargento salva jovem em rodovia escura entre Pirenópolis e Corumbá.
A atuação de um bombeiro militar fora de serviço evidencia a essência da corporação: salvar vidas em qualquer circunstância.
Roberto Naborfazan
Um acidente de trânsito na madrugada do último dia 25 de abril, na GO – 225, entre Pirenópolis e Corumbá de Goiás, mostrou mais uma vez a importância do trabalho dos Bombeiros Militares em favor da população.
Naquele sábado, o 2º Sargento Robson Rodrigues (R. Rodrigues) do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal – CBMDF se dirigia à Brasília – DF, quando visualizou o acidente de trânsito e parou imediatamente para dar início aos primeiros socorros.
Como vinha logo atrás do carro acidentado, o Sargento R. Rodrigues percebeu que a motorista havia perdido o controle da direção do veículo, e “capotou” por duas vezes. Ao se aproximar do veiculo, viu que a vítima, identificada como Raquel Morais Barros de Siqueira, estava presa as ferragens e um tanto desorientada.
Utilizando sua experiência profissional, o Sargento R. Rodrigues utilizou técnicas de retirada compatíveis com a situação apresentada, a fim de possibilitar a continuidade do atendimento pré-hospitalar inicial, com avaliação primária e adoção de medidas emergenciais.
Em seguida, acionou o 17º Batalhão Bombeiro Militar de Goiás – CBMGO, que enviou a VTR UR-263, que, com apoio da VTR ABS-38, delimitaram a segurança no local do acidente, estabilizaram a vítima e a conduzida ao hospital Estadual Ernestina Lopes Jaime, de Pirenópolis. Raquel Morais Barros de Siqueira já recebeu alta.





Gratidão e orações.
Em suas redes sociais, o Sargento R. Rodrigues ressaltou;
“Graças a Deus pude estar no lugar certo, na hora certa, e contribuir para preservar uma vida, mesmo diante dos riscos que enfrentei durante o socorro. Peço a todos que assistam, compartilhem e ajudem a divulgar esse trabalho, que representa não só a minha atuação e a força do CBMDF, mas o compromisso de toda a corporação com a vida. Muito obrigado pelo apoio de sempre!”.

Também por meio de suas redes sociais, Raquel Morais Barros de Siqueira, fez um longo e emocionado depoimento; “Era a madrugada do dia 25/04, quando perdi o controle do meu carro em uma rodovia que liga Pirenópolis a Corumbá de Goiás um trecho que eu fazia todos os dias. O local do acidente era extremamente crítico: uma ribanceira de difícil acesso, sem visibilidade, em uma via perigosa, sem acostamento, escura e silenciosa. Um cenário onde qualquer segundo poderia definir o pior. E foi nesse cenário que o Sargento R. Rodrigues parou. Ele não apenas parou, ele decidiu agir. Se colocou em risco real de atropelamento, em uma rodovia sem sinalização adequada, com baixa visibilidade, onde a qualquer momento outro veículo poderia surgir. Mesmo assim, permaneceu. O meu carro estava completamente destruído, com a estrutura comprometida, instável, preso à vegetação, com vidros estilhaçados por todos os lados. Um ambiente hostil, perigoso, imprevisível. E ainda assim, ele entrou. Se expôs a cortes, a ferimentos graves, ao risco constante de movimentação do veículo e a um dos perigos mais silenciosos e letais: o superaquecimento do motor aliado ao possível vazamento de combustível, uma combinação que poderia resultar em incêndio a qualquer momento. Ali, duas vidas estavam em risco. E mesmo diante de tudo isso… ele não hesitou. Eu sei que o senhor é bombeiro. Mas, naquela situação, era completamente diferente de uma ocorrência comum. O senhor não tinha EPI adequado.
Não tinha equipe de apoio. Não havia viatura para sinalizar a via ou garantir a segurança da cena. Enquanto em um atendimento de serviço existem, no mínimo, três ou quatro militares, estrutura, equipamentos e todo um aparato de segurança… naquele momento, o senhor estava sozinho. Tinha apenas a força de Deus. E ainda assim, escolheu agir.
Com coragem. Com fé. Com humanidade. Com disposição de salvar, mesmo colocando a própria vida em risco E agora, conhecendo melhor a sua história, isso tudo ganha ainda mais peso. O senhor é sargento. É pai de família. Tem dois filhos. E,ainda assim, naquele momento, ao escolher me salvar, colocou tudo isso em risco. Porque ali não era só a sua vida em jogo. Se algo de pior tivesse acontecido se o carro tivesse incendiado, se o senhor tivesse se ferido gravemente, não seria só o senhor. Seria uma família inteira impactada. Seus filhos poderiam ficar sem o pai. Sua família, sem o seu amparo.
Mesmo assim… o senhor ficou. Enquanto muitos veriam apenas um acidente… o senhor viu uma vida. E colocou a sua em risco por isso. Eu estava desacordada, sem telefone, sem qualquer possibilidade de pedir ajuda. Sem o senhor, o tempo poderia ter sido fatal. Mas o senhor ficou. Enfrentou cada risco, cada ameaça invisível e, com preparo, coragem e entrega, realizou o meu resgate. Hoje eu estou viva. E naquele momento, não foi apenas um milagre. Foram dois. Deus preservou a minha vida… e também ao Sargento R. Rodrigues, que, mesmo diante do perigo extremo, foi instrumento de livramento. É por isso que hoje eu posso dizer: Eu estou viva graças a Deus… e graças à coragem, à fé e à atitude do senhor. Esse não foi apenas um resgate. Foi um verdadeiro ato de Coragem e Humanidade”.
Resgate simboliza compromisso dos Bombeiros Militares
O resgate da jovem Raquel Morais Barros de Siqueira não representa apenas o desfecho positivo de uma ocorrência grave, mas simboliza, sobretudo, o compromisso diário dos bombeiros militares com a vida. Em cada estrada, cidade ou comunidade, esses profissionais seguem atentos, preparados para agir mesmo fora do serviço, guiados por um senso de dever que ultrapassa protocolos e horários.
A atitude do 2º Sargento Robson Rodrigues vai além da técnica — traduz coragem, vocação e humanidade. Mesmo sozinho, sem equipamentos adequados e diante de riscos reais, ele escolheu agir. Escolheu salvar.
E é justamente essa escolha que define o trabalho dos bombeiros militares em todo o Brasil: homens e mulheres que, diante do perigo, não recuam — avançam. Que, diante da dúvida, não hesitam — agem. E que, diante da vida, fazem dela sempre a prioridade.
Mais do que um atendimento bem-sucedido, o episódio reforça um valor essencial: enquanto houver quem precise, haverá um bombeiro disposto a enfrentar qualquer risco para garantir que histórias como a de Raquel continuem sendo escritas.


