CIGARRO ELETRÔNICO – Ciência revela que uso do dispositivo afeta saúde reprodutiva do homem e da mulher.
Número de usuários quadruplicou no Brasil entre 2018 e 2022. Entenda como o dispositivo pode prejudicar a fertilidade masculina e feminina.
Por Ana Paula Ferreira*
Apesar de ainda ser visto como uma alternativa para reduzir os danos associados ao consumo do cigarro convencional, o vape ou cigarro eletrônico também é prejudicial à saúde, inclusive com alertas do Ministério da Saúde sobre câncer, doenças respiratórias e cardiovasculares, dependência de nicotina e exposição a substâncias tóxicas mesmo sem combustão.
O risco do consumo, contudo, vai além — de acordo com estudos recentes, pode prejudicar a fertilidade masculina e feminina, afetando diferentes etapas do processo reprodutivo.
De acordo com a ginecologista especialista em reprodução humana e diretora da clínica Fertipraxis (RJ), Maria do Carmo Borges de Souza, algumas pesquisas já demonstram efeitos sobre a fertilidade masculina.
“Estudos já mostram a redução da motilidade dos espermatozoides em consumidores de cigarros eletrônicos com sabores como canela e chiclete, inclusive em produtos rotulados como ‘sem nicotina’. Esse efeito pode estar relacionado à presença de metais nos componentes dos dispositivos, capazes de afetar a saúde reprodutiva de ambos os sexos”, explica.

Ela destaca ainda os possíveis impactos nas mulheres. “Nas mulheres, a exposição a metais pesados, como o chumbo, pode estar associada a abortamentos espontâneos e a malformações congênitas”, completa.
Segundo a profissional, outro ponto de atenção é a composição do vapor liberado por esses aparelhos. “O vapor dos cigarros eletrônicos é uma mistura de diversos componentes, incluindo o formaldeído, uma substância amplamente estudada em modelos animais e potencialmente tóxica para a espermatogênese humana, para a maturação folicular nas mulheres, bem como para a implantação e o desenvolvimento embrionário”, alerta Maria do Carmo.
O crescimento do consumo no país também chama atenção, uma vez que o número de usuários de cigarro eletrônico quadruplicou no Brasil em quatro anos, passando de 500 mil em 2018 para 2,2 milhões em 2022, segundo o IPEC. Entre adolescentes de 13 a 17 anos, quase 17% já experimentaram o vape, de acordo com o IBGE.
Diante disso, a ginecologista ressalta que as evidências reunidas em estudos e revisões científicas recentes apontam que, apesar de ainda serem vistos como uma alternativa ao cigarro tradicional, os dispositivos eletrônicos apresentam riscos próprios e não devem ser considerados inofensivos, inclusive quando o assunto é saúde reprodutiva.
**FONTE: Revista Crescer Saúde


