CAMPOS BELOS (GO) – Inconformado com fim do relacionamento, homem ateia fogo em mulher na frente da filha de 6 anos.
Suspeito foi preso em flagrante após incendiar a ex-companheira na presença da filha da mulher. Crime ocorreu horas após o término do relacionamento; vítima sofreu queimaduras em mais de 70% do corpo.
Roberto Naborfazan
Uma mulher de 37 anos foi vítima de uma tentativa de feminicídio na madrugada de terça-feira, 10, em Campos Belos, no nordeste goiano.
Ela deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade com queimaduras graves após, segundo a Polícia Militar, ter sido atacada com líquido inflamável (álcool) pelo ex-companheiro.
A PM foi acionada pelo vigilante da unidade, que relatou a entrada de uma mulher com queimaduras por todo o corpo, possivelmente decorrentes de um ato criminoso.
Cena de desespero diante da filha
No local, os policiais conversaram com o irmão da vítima. Ele relatou ter ouvido gritos vindos da casa da irmã e, que mora na casa ao lado, no mesmo terreno. Ao entrar na residência, encontrou a mulher em chamas, rolando pelo chão, enquanto a filha de apenas seis anos presenciava a cena em completo desespero.
Para conter o fogo, ele utilizou um travesseiro e conseguiu apagar as chamas. Em seguida, levou a irmã imediatamente para atendimento médico.
Segundo o relato, o agressor teria intenção não apenas de atear fogo na ex-companheira, mas também de incendiar a residência e atingir a criança.

Machismo, posse e violência
O suspeito seria o ex-companheiro da vítima, com quem ela manteve um relacionamento por cerca de oito meses, encerrado no dia anterior ao crime.
Inconformado com o término — motivado, segundo relatos, pela decisão da mulher de encerrar o relacionamento — o homem foi até a residência carregando um galão com álcool e utilizou o líquido para provocar o incêndio.
Casos como este evidenciam um padrão recorrente de violência: homens que se enxergam como “donos” das mulheres e não aceitam a rejeição ou o fim do relacionamento. O sentimento de posse, alimentado por uma cultura machista estrutural, frequentemente evolui para agressões, ameaças e, em muitos casos, culmina em feminicídio.
A tentativa de controle sobre a vida da mulher, quando frustrada, transforma-se em violência extrema.
Estado de saúde da vítima
O Relatório de Exame de Corpo de Delito aponta que a mulher sofreu queimaduras de segundo grau em mais de 70% do corpo, atingindo face, tórax, braços e pernas.
Segundo apurado pela reportagem do Jornal O VETOR, com quadro de saúde considerado grave, a paciente foi removida, ainda na terça-feira, para o Hospital de Urgência Governador Otávio Lage – HUGOL, em Goiânia.
Buscamos atualização sobre o estado de saúde da mulher, mas até o fechamento desta reportagem, não obtivemos respostas.
Prisão do suspeito

Após colher as informações, as equipes intensificaram as buscas pela cidade e localizaram o suspeito escondido dentro de um veículo estacionado nas proximidades do Colégio Jandira Alves. Ele foi preso em flagrante.
O homem foi encaminhado para realização de exame de corpo de delito na própria UPA e, posteriormente, apresentado à autoridade policial na Delegacia de Polícia de Campos Belos, onde permanece à disposição da Justiça.
O caso deve ser investigado pela Polícia Civil como tentativa de feminicídio e tentativa de homicídio qualificado, considerando a presença da criança no momento do ataque.
A legislação brasileira enquadra como feminicídio o assassinato de mulheres motivado por violência doméstica, menosprezo ou discriminação à condição de mulher — uma tipificação criada justamente para enfrentar crimes que nascem do machismo e da ideia de posse sobre o corpo e a vida feminina.


