CRISE NA SAÚDE DE ALTO PARAÍSO – Denúncias apontam precariedade no Hospital Municipal e revoltam moradores.
Moradores de Alto Paraíso de Goiás denunciam uma grave crise na saúde pública do município, com foco no Hospital Municipal Gumercindo Barbosa. Fotos e relatos enviados ao Jornal O VETOR apontam falta de medicamentos, atraso de salários, médicos inexperientes, precariedade estrutural e risco à segurança de pacientes, em contraste com o alto volume de recursos e o potencial turístico da cidade.
Roberto Naborfazan
Um dos municípios mais visitados do estado de Goiás, devido as suas belezas naturais e grande quantidade de atrativos turísticos, inclusive o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Alto Paraíso de Goiás, Alto Paraíso de Goiás tem, de acordo com o Censo Demográfico de 2022, 10.298 pessoas.
No entanto, em feriados e fins de semana prolongados, o número de pessoas chega a ultrapassar 18 mil.
Consolidado como polo da região da Chapada dos Veadeiros, o município tem, relativamente, uma boa estrutura em comércios, pousadas e restaurantes. Mas, infelizmente, os moradores têm reclamado com frequência da falta de investimentos em setores básicos, que deveriam ser feitos pela gestão municipal.
Desde o final de 2025 o Jornal O VETOR vem recebendo fotos, vídeos e prints de conversas em recentes sociais que mostram a insatisfação da população, principalmente, com a área da saúde, com ênfase no atendimento de urgência e emergência realizadas no Hospital Municipal Gumercindo Barbosa.
Histórico de problemas
Em 2016, no final da gestão do prefeito Álan Barbosa, o hospital municipal Gumercindo Barbosa foi fechado sob a alegação de problemas estruturais no edifício e por problemas financeiros. O serviço de urgência e emergência foi transferido para a Unidade Básica do Setor Cidade Alta.
Como havia prometido em sua campanha eleitoral no pleito daquele mesmo ano, Martinho Mendes da Silva, já empossado no cargo, reabriu a unidade hospitalar no dia 11 de maio de 2017, pouco mais de quatro meses após assumir o cargo.
Na época, o então vice-prefeito, Marlon Bandeira, tomou a frente e promoveu um mutirão, com apoio da comunidade e respaldo do prefeito, fazendo uma verdadeira faxina, com pinturas em todo o prédio, retirada de goteiras, roçagem na área externa e troca de macas e colchões.

No decorrer da gestão, a então secretária de saúde, Maria Cleonice Rodrigues de Sousa, fez importante controle financeiro, com ações rígidas de controle, entre elas, adquirir os produtos no comércio local e fazer na própria unidade a alimentação para os pacientes e funcionários, almoxarifado com controlo de entrada e saída de materiais de higiene limpeza, e priorizando a aquisição de medicamentos básicos para a farmácia.
Com a chegada da epidemia do COVID-19, todos os recursos oriundos de emendas parlamentares e repasses extras do governo federal foram usados de forma honesta e responsável.
Ao deixar o governo no final de 2020, Martinho Mendes entregou o hospital municipal limpo, com um projeto de reforma e ampliação feito e pago, com leitos novos e equipamentos modernos, que permitiam serviços de exames e análises clínicos laboratoriais e exames de eletrocardiograma, entre eles um aparelho de Raio X digital e um aparelho de Ultrassonografia, que ficaram como legado para a população, no Hospital Municipal Gumercindo Barbosa. Clique aqui e leia reportagem do Jornal O VETOR com um resumo de tudo que foi feito e deixado no Hospital naquele, e também outras áreas, como a da educação.


Situação atual.
No dia 19 de agosto de 2024, a organização Social Instituto Alcance Gestão em Saúde, iniciou suas atividades como gestora do Hospital Municipal Gumercindo Barbosa, por meio de um contrato de 48 meses com a atual gestão.
De acordo com o contrato, o valor é de R$ 9.108.000,00 (NOVE MILHÕES E CENTO E OITO MIL REAIS) no primeiro ano, sendo 12 (doze) parcelas de R$ 759.000,00 (SETECENTOS E CINQUENTA E NOVE MIL REAIS) com as 36 parcelas restantes sendo reajustadas com base no Indice de Preços ao Consumidor – IPC, em um total aproximado de R$ 50.000.000,00 (CINQUENTA MILHÕES DE REAIS).

CLIQUE AQUI E LEIA O CONTRATO ENTRE A PREFEITURA E O INSTITUTO, NA ÍNTEGRA.
A expectativa da comunidade era que o Hospital Municipal Gumercindo Barbosa se tornasse referência regional, no entanto a realidade se mostra outra.
Reclamações dos pacientes sobre a contratação de médicos inexperientes, gerando má qualidade no atendimento, falta de medicamentos básicos, importantes principalmente para as pessoas em vulnerabilidade social, que não têm condições de comprar no comercio formal, inexistência ou falta de manutenção em equipamentos para exames, se junta a insatisfação de funcionários e prestadores de serviços devido aos atrasos de pagamentos de salários e as condições insalubres do prédio.
O Jornal O VETOR teve acesso a fotos tiradas recentemente das áreas internas e externas do Hospital e da base do SAMU. VEJAM ABAIXO.




















De acordo com as denúncias feitas pelos moradores, a situação se agravou de tal forma que, em dezembro de 2025, trabalhadores no regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) no Hospital Municipal Gumercindo Barbosa, anunciaram, por meio de NOTA DE ESCLARECIMENTO, que iriam paralisar suas atividades se a Organização Social Instituto Alcance, a Secretaria Municipal de Saúde e a Prefeitura Municipal de Alto Paraíso de Goiás, que fazem a gestão compartilhada da unidade de saúde, não quitassem todos os valores em atraso de salários mensais; décimo terceiro salário; férias vencidas e proporcionais.
O Jornal O VETOR acompanhou a situação e publicou reportagem sobre o assunto.
CLIQUE AQUI E LEIA.
Nossa reportagem teve acesso a vários prints de conversas em aplicativos de mensagens, que mostram a insatisfação da população com a atual situação da saúde no município. Vejam abaixo alguns dos comentários.
– É revoltante que uma cidade turística, que arrecada tanto, entregue a saúde da população a um hospital terceirizado tão precário. E ainda somos tratados como errados por cobrar o mínimo para garantir o atendimento.
– E incrível mesmo. usa dinheiro para várias outras áreas. Gente, invés de pegar mais carro, investir em coisas fúteis, porque n’um pensam que a saúde é em Primeiro lugar pra todos da cidade…
– (sobre a médica) Fui atendida por ela hoje. Totalmente inexperiente. Senti muita insegurança ao me atender, tremia. Achei bem estranho.
– Falou pra eu comprar uma ampola de Noripurun e eu disse a ela que devido a bariátrica volta e meia tenho início de anemia e que na caixa vem 5 ampolas. Que já tinha passado pelo mesmo quadro clínico. Não estou bem, mas resolvi retornar ao hospital assim que tiver outro médico ou outra médica.
– Bom dia tava acompanhando as msg aí do grupo anteriores, situação tá precária viu do hospital, e prefeito, vice e vereadores, só tão fazendo pra Eles tão nem aí, Desculpa mais essa é a realidade.
– Bom dia. Entendo a preocupação de todos e respeito muito os profissionais que estão na linha de frente. Mas acredito que as publicações nas redes acontecem quando as pessoas já tentaram de tudo e não encontraram solução. A presença da vice-prefeita e dos vereadores é importante, porém o ideal seria que essas visitas e melhorias acontecessem antes das denúncias. Falo como usuária do serviço: já estive no hospital com suspeita de dengue, cheguei por volta das 7h da manhã e, até o meio-dia, não havia sido atendida. Acabei indo embora por não aguentar mais esperar.
“– Ninguém posta por querer expor, mas sim por necessidade e desespero. Tomara que essas situações sirvam para melhorar o atendimento de forma contínua.”
– Bom dia. Sim concordo com vc não estamos aqui pra criticar nem um funcionário do hospital. O que aconteceu ontem e um pedido de socorro pra quem é responsável pelo hospital. Pois se um profissional daquele hospital pudesse falar já estaria fechado pois quem trabalha lá dentro sabe o que eles têm aguentando calado.
– É de grande importância saber que tipo de profissional está ocupando o cargo de médico, se realmente é médico, um erro médico pode matar ou piorar a saúde de alguém. A médica citada é insegura e inexperiente. Já vi em postinho aqui médico pesquisando no Google o que tem que ser feito. Lembro bem o dia e do casal que estava na mão do médico fazendo a pesquisa. Perigoso demais.
– Em menos de uma hora eu recebi dois diagnósticos do meu Pai. Um que ele não tinha nada. Outro que estava com leve pneumonia.
– Fui atendida por ela ontem. Sem firmeza nenhuma do que estava fazendo
– Vixe aí é grave mesmo, pesquisar no Google, é fria, mas sempre é assim a maioria já correm pro Google pra descrever o remédio incrível.
– Alto Paraíso de Goiás aponta para um colapso em várias frentes. Vamos analisar os pontos principais dessa crise sob a ótica da gestão pública: Os Pontos Críticos Mencionados
– Salários Atrasados: Este é um dos sintomas mais graves de má gestão financeira. Afeta a economia local e a motivação de quem deveria manter a cidade funcionando.
– Saúde em Caos: Em uma região turística, a saúde precisa atender não só a população fixa, mas também o fluxo flutuante de turistas, o que exige planejamento dobrado.
– Infraestrutura (Buracos e Árvores): A zeladoria urbana é o “cartão de visitas”. Ruas esburacadas e falta de limpeza sugerem falha direta na Secretaria de Obras e falta de cronograma de manutenção.
– Crise de Fiscalização: O papel dos vereadores é fiscalizar o Executivo. Quando há a percepção de “troca de favores”, o sistema de pesos e contrapesos da democracia local deixa de funcionar, deixando a população desamparada.
– O Contraste com o Potencial Turístico
A Chapada é um destino de alto valor agregado. O fato de o turismo ser “caríssimo” enquanto a infraestrutura básica decai cria um desequilíbrio perigoso: o turista pode deixar de vir e o morador paga o preço do custo de vida elevado sem ter o retorno em serviços públicos de qualidade. Onde está o plano de governo, cadê as promessas de palanque.
Posicionamentos
O Jornal O VETOR procurou, por meio de mensagens por telefone e e-mail da assessoria de comunicação, tanto a secretaria de saúde, quanto a direção do Instituto alcance, enviando seguintes questionamentos:
À secretaria Municipal de Saúde de Alto Paraíso de Goiás.
Diretoria do Instituto Alcance Gestão em Saúde
Comunicação da Prefeitura Alto Paraíso de Goiás.
Alto Paraíso de Goiás, 19 de janeiro de 2026
Senhoras e senhores,
Em atendimento a demanda de moradores no município de Alto Paraíso de Goiás, que nos enviaram fotos e vídeos sobre as atuais condições do prédio que abriga o Hospital Municipal Gumercindo Barbosa, mostrando a precariedade em que o mesmo se encontra, o Jornal O VETOR está produzindo reportagem visando atender a referida demanda. Diante disso, solicitamos posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde e dos dirigentes do Instituto Alcance Gestão em Saúde para os seguintes tópicos:
– Fotos e vídeos mostram paredes, tetos, equipamentos e ambientes dentro do Hospital sujos, quebrados, sem manutenção e, de acordo com especialistas consultados, com sérios riscos de contaminação hospitalar para pacientes e funcionários.
Houve inspeção recente da SUVISA no Hospital? Há previsão de reforma no prédio e instalações do Hospital Municipal? A unidade de saúde tem hoje plena condição de atender a população local e flutuante?
– Há também reclamações sobre a capacidade e qualidade do atendimento médico na unidade. Quantos médicos atendem hoje no Hospital Municipal Gumercindo Barbosa e quais são suas especialidades? Há médicos plantonista? Se sim, quantos e em quais especialidades?
– Pacientes reclamam da falta de equipamentos e medicamentos, e alegam que a unidade não tem condições de realizar internações, por isso, mesmo em caso graves, o paciente é mandado de volta para casa ou medicado de forma insuficiente. Isso procede? Pedimos esclarecimentos e dados.
– Funcionários, que não querem ser identificados, relatam falta de insumos, de EPIs hospitalares, de atraso no pagamento de seus salários e da falta de comunicação pela prefeitura e pelo instituto sobre o porque do atraso e quando será feito. Essas situações já foram sanadas? Qual o motivo de isso estar acontecendo?
Nossa reportagem trará fotos, vídeos e prints da situação do prédio e das reclamações dos cidadãos contribuintes, por isso pedimos repostas a esses nossos questionamentos e outros esclarecimentos que acharem necessário serem apresentados a população local.
Fecharemos a edição da reportagem nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, as 17 horas. Aguardaremos com espaço reservado na reportagem para vossos posicionamentos e esclarecimentos até o horário citado.
Sempre a disposição.
Roberto Naborfazan
Jornalista responsável
A Secretaria Municipal de Saúde nos enviou a seguinte nota:



