AGIOTAGEM, EXTORSÃO E TORTURA – Polícia Civil prende sargento e advogada líderes de grupo criminoso em Luziânia – GO. VÍDEO.
A Polícia Civil de Goiás desarticulou, nesta sexta-feira (28), uma organização criminosa que transformou agiotagem, extorsão e tortura em negócio milionário. A advogada Tatiane Meireles, e seu esposo, o sargento Herbert Póvoa, tornaram-se símbolo da violência que marcava a atuação da quadrilha.
Roberto Naborfazan
A Operação Mão de Ferro, deflagrada pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Luziânia, prendeu a advogada Tatiane Meireles, apontada como figura central do esquema, e seu marido, o sargento da Polícia Militar Herbert Francisco Póvoa, além de outros dois policiais militares envolvidos na rede criminosa. O grupo, segundo as investigações, movimentou mais de R$ 7 milhões em apenas dois anos e agia com extrema violência para cobrar dívidas criadas com juros abusivos.
Segundo a Polícia Civil, a quadrilha funcionava de forma estruturada e permanente, mantendo forte atuação nos bastidores da criminalidade financeira na região do Entorno do Distrito Federal. A agiotagem era o núcleo do esquema: empréstimos com juros impagáveis, que rapidamente transformavam qualquer atraso em dívidas altíssimas — e na porta de entrada para um ciclo de intimidação.


Quando o devedor não conseguia pagar, entravam em cena os métodos violentos. Relatos colhidos pela investigação revelam um padrão:
– Ameaças diretas,
– Agressões físicas,
– Extorsão mediante sequestro,
– Coação psicológica contínua,
– Tortura como instrumento de cobrança.
Vítimas chegaram a afirmar que viviam “sob terror constante”, temendo novas investidas do grupo.
A advogada Tatiane Meireles, esposa do sargento Herbert Póvoa, tornou-se o símbolo da violência que marcava a atuação da quadrilha. A investigação aponta que ela fazia muito mais do que oferecer suporte jurídico para “blindar” o grupo: Tatiane participava diretamente das cobranças.
Em um vídeo que circula em redes sociais (veja abaixo), ela aparece agredindo uma das vítimas com um cassetete, golpeando repetidamente um homem durante uma sessão de cobrança. O registro reforçou o que já constava nos autos: a advogada atuava como agente ativa da violência, utilizando sua posição para intimidar e garantir que ninguém ousasse enfrentar o grupo.
“A advogada não apenas dava cobertura jurídica ao esquema. Ela integrava as ações violentas e participava das agressões”, descreveu uma fonte envolvida na investigação.
A presença de uma profissional do Direito no núcleo da brutalidade chocou os investigadores, que classificaram a postura como “um desvio ético e humano de gravidade extrema”.
Além de Herbert Póvoa, outros dois policiais militares goianos — sargento Miguel Roberto Mendonça e soldado José Ronam Ferreira Lustosa — foram alvo dos mandados expedidos pelo Ministério Público de Goiás. Todos são suspeitos de integrar o grupo em diferentes frentes, especialmente nas ações de força e repressão.
As denúncias incluem:
– Extorsão,
– Extorsão mediante sequestro,
– Porte ilegal e uso irregular de armamento,
– Tortura, coação e lavagem de dinheiro.
A participação de agentes da segurança pública garantia ao esquema uma falsa aura de legalidade — e ampliava a capacidade de intimidação.




Operação Mão de Ferro
Na Operação Mão de Ferro, os policiais cumpriram mais de 10 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão. Por decisão judicial, R$ 7 milhões foram bloqueados das contas dos investigados, como forma de reparar danos às vítimas; impedir que o grupo recomponha sua estrutura; e enfraquecer a rede de lavagem de dinheiro operada pela quadrilha.
As ações envolveram equipes da Polícia Civil e apoio da Polícia Militar.
O terror como rotina
As investigações apontam que os devedores eram mantidos sob um ciclo contínuo de medo. A cada ameaça, a sensação era de que a situação poderia se agravar a qualquer momento — e frequentemente se agravava.
Os métodos relatados incluem: Espancamentos,retenção de celulares, invasão de residências, vigilância constante, sequestros relâmpago, uso de instrumentos de tortura.
As agressões cometidas por Tatiane Meireles ganharam atenção especial pela frieza, contundência e ausência de qualquer limite.
A Operação Mão de Ferro marca um avanço significativo no combate ao crime organizado em Goiás. A presença de advogada e policiais militares entre os investigados demonstra a profundidade da corrupção que o grupo conseguiu atingir — e a necessidade de ação firme do Estado.
A Polícia Civil ressaltou que as investigações continuam, com novas diligências e possíveis desdobramentos relacionados às finanças do grupo e ao número total de vítimas.
Agiotagem criminosa
A queda da quadrilha liderada por Tatiane Meireles e Herbert Póvoa expõe a face mais brutal da agiotagem criminosa: não se tratava apenas de dívidas, mas de um sistema estruturado de violência, tortura e opressão, onde a força substituía a lei.
Com prisões decretadas, valores bloqueados e a repercussão do vídeo que revelou a advogada em ação agressiva, abre-se agora espaço para que outras vítimas encontrem coragem para denunciar.
A operação lançou luz sobre um ciclo de abusos que, por anos, operou nas sombras — e que, enfim, começa a ser rompido.


